Ignorado em Paris: entenda a relação conturbada entre Cristiano Ronaldo e a Bola de Ouro
Na cerimônia de 2025, a France Football voltou a deixar em evidência o afastamento com o craque português, em mais um capítulo de uma relação marcada por títulos, ressentimentos e acusações públicas
Na noite desta segunda-feira (22/9), em Paris, a cerimônia da Bola de Ouro prestou homenagens a ídolos históricos do futebol mundial. No entanto, quase nenhuma menção foi feita a Cristiano Ronaldo, cinco vezes vencedor do prêmio e figura central na história da revista France Football. O silêncio chamou atenção e reforçou a percepção de que a relação entre o português e os donos da premiação atravessa um período de distanciamento explícito.
A era do duopólio
Durante quase uma década, entre 2008 e 2017, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi dividiram todas as Bolas de Ouro. Foram cinco para o português (2008, 2013, 2014, 2016 e 2017) e quatro para o argentino (2009, 2010, 2011 e 2012). O domínio foi tão grande que o prestígio do prêmio parecia inseparável da imagem dos dois jogadores, que construíram um dos capítulos mais intensos da história do futebol.
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A virada da narrativa
A partir de 2018, a hegemonia começou a ruir. Luka Modric venceu naquele ano, quebrando a sequência. Messi retomaria o trono em 2019, e em 2021, quando também foi eleito, Cristiano ficou apenas em sexto lugar. Esse resultado gerou desconforto: parte da torcida do português acusou a France Football de injustiça, e o próprio atleta demonstrou inconformismo nas redes sociais ao endossar comentários de que a conquista de Messi seria um “roubo”.
A virada de tom
Com o passar dos anos a relação estremeceu ainda mais. Em junho de 2024, durante entrevista, Cristiano foi direto: “Os prêmios individuais perderam um pouco o consenso. Na minha opinião, quem se destaca e vence a Champions deveria ganhar. Mas não há consenso. Não acredito muito em prêmios individuais porque sei o que se passa nos bastidores”. Foi a primeira vez em que ele admitiu publicamente a desconfiança sobre a legitimidade da eleição.
“Perderam credibilidade”
Meses depois, quando Vini Jr. foi superado por Rodri na disputa da Bola de Ouro 2024, um vídeo antigo de Cristiano voltou a viralizar. Nele, o craque desabafava: “Já estou acostumado. Sei como funcionam essas organizações. Para ser sincero, nem vejo mais. Estes prêmios perderam um pouco de credibilidade, em minha opinião. Temos que analisar o período todo. Eu simplesmente já não acredito mais nestes prêmios”. A fala ecoou como prenúncio de um distanciamento irreversível entre o português e a premiação.
O golpe da ironia
Em setembro de 2025, já no Al-Nassr e às vésperas de completar 40 anos, Cristiano voltou a atacar. Após amistoso contra o Rio Ave, em Portugal, foi questionado sobre a possibilidade de outro compatriota conquistar a Bola de Ouro. A resposta foi curta e ácida: “Isso para mim é fictício”. A palavra escolhida escancarou não apenas descrença, mas ironia com a revista France Football, que por cinco vezes havia gravado seu nome na história do prêmio.
Choque público com a organização
Outro episódio marcante da ruptura veio em 2021, quando Cristiano Ronaldo acusou Pascal Ferré, editor da France Football, de mentir. Ferré havia declarado que o português lhe confidenciara ter como maior ambição da carreira terminar com mais Bolas de Ouro do que Messi.
CR7 rebateu duramente:”Pascal Ferré mentiu, usou o meu nome para se promover e para promover a publicação para a qual trabalha. É inadmissível que o responsável pela atribuição de tão prestigiado prêmio possa mentir desta forma, num absoluto desrespeito por alguém que sempre respeitou a France Football e a Bola de Ouro.”
A declaração pública expôs a fragilidade da relação e inaugurou uma fase de atritos cada vez mais visíveis.
Momentos de constrangimento
A tensão contou até com um episódio atípico durante a premiação de 2019. Naquela edição da Bola de Ouro, foi exibida no telão uma foto antiga de Cristiano Ronaldo ao lado de Didier Drogba para a capa da Vanity Fair, onde ambos posaram vestindo apenas cueca.
A cena gerou risos no auditório e até o próprio Drogba, que apresentava o evento, questionou o motivo da exibição. Fãs de CR7 classificaram o gesto como falta de respeito.
A ausência que pesa
Em 2025, a quase completa omissão de Cristiano Ronaldo nas homenagens soou simbólica. Em uma cerimônia dedicada a reverenciar lendas, o nome do português que ajudou a eternizar o prêmio foi praticamente ignorado. Para muitos, a ausência de reverência escancarou a distância entre o craque e a revista que consagrou parte fundamental de sua carreira.
Entre legado e ressentimento
Cristiano Ronaldo segue como um dos maiores vencedores da Bola de Ouro, com cinco troféus. No entanto, sua trajetória com a France Football se transformou em um caso raro no futebol: um ídolo que, mesmo marcado pela história da premiação, mantém uma relação de desconfiança, críticas e mágoas abertas.
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