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Uefa ignora pedido de desculpas da Fifa e mantém boicote; Conmebol evita embate

Confederação europeia afirma que as condições para encerrar o impasse não foram atendidas, enquanto a entidade sul-americana celebra a retirada do projeto e defende o diálogo

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          A Uefa decidiu manter o boicote às competições organizadas pela Fifa mesmo após o presidente da entidade, Gianni Infantino, retirar a proposta de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE) e divulgar um pedido oficial de desculpas às federações filiadas. Em posição diferente, a Conmebol adotou um discurso de neutralidade, elogiou a retirada do projeto e defendeu a preservação da unidade institucional do futebol.

          Os posicionamentos foram divulgados nesta quinta-feira (6/8), um dia após a reunião realizada por Infantino com integrantes da cúpula da Fifa, em Rabat, no Marrocos. O encontro ocorreu após a repercussão provocada pelo plano de vender parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo, proposta que acabou sendo arquivada pela entidade.

          Veja as fotos

          Reprodução/UEFA
          Aleksander Ceferin, presidente da UEFAReprodução/UEFA
          Reprodução/@alejandrodominguezws
          Alejandro Domínguez assumiu a Conmebol em janeiro de 2016 e está em seu quarto e último mandato, que vai até 2031.Reprodução/@alejandrodominguezws
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          Na quarta-feira (5/8), a Fifa publicou uma nota assinada por Gianni Infantino e pelo secretário-geral Mattias Grafström. No comunicado, a entidade reconheceu falhas na condução do processo envolvendo a FFE, pediu desculpas às 211 associações nacionais e reafirmou apoio à atual gestão.

          Uefa mantém posição:

          Apesar da mudança de rumo da Fifa, a Uefa afirmou que as exigências apresentadas anteriormente continuam sem resposta e reiterou que manterá o boicote: “As associações da Uefa foram muito claras quanto às condições associadas à não participação em competições da Fifa”.

          A confederação detalhou que, além da retirada da proposta, considera necessário haver garantias para impedir iniciativas semelhantes no futuro: “Em primeiro lugar, as propostas de privatização das principais competições tiveram de ser retiradas e, em segundo lugar, é preciso garantir que tais tentativas de desfigurar o jogo desta forma nunca mais se repitam”.

          Na avaliação da entidade, esse compromisso ainda não foi assegurado: “Essas condições não foram cumpridas”. A Uefa também reafirmou o posicionamento adotado anteriormente em relação à administração de Infantino: “Essa posição permanece inalterada”.

          Além de manter o boicote, a confederação informou que realizará uma investigação independente para verificar se os valores previstos no projeto estavam abaixo dos praticados pelo mercado, hipótese que poderá indicar eventual favorecimento.

          Conmebol prega unidade:

          Enquanto a Uefa endureceu o discurso, a Conmebol optou por uma manifestação mais moderada. Em nota, a entidade afirmou que recebeu de forma positiva a decisão da Fifa de retirar a proposta da FFE.

          “Diante dos acontecimentos que afetam a família do futebol, o Conselho da Conmebol, reunido nesta data, celebra a decisão da Fifa de retirar a proposta Fifa Forward Enterprise”.

          Sem mencionar Gianni Infantino, a confederação sul-americana também demonstrou preocupação com decisões tomadas sem discussão prévia entre os órgãos do futebol.

          A nota registra “preocupação com as reiteradas ações unilaterais adotadas sem recorrer ao diálogo nem aos mecanismos institucionais previstos para o tratamento desse tipo de situação” e acrescenta que “A Conmebol não apoiará qualquer atuação ou procedimento que desconsidere ou se afaste desses mecanismos institucionais”.

          No encerramento do comunicado, a entidade defendeu uma solução construída por meio do diálogo.

          “Um chamado à preservação da unidade da família do futebol, à atuação com responsabilidade institucional, ao fortalecimento do diálogo e ao pleno respeito aos mecanismos de governança”.

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