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Nath Finanças diz que Desenrola Brasil alivia dívidas, mas não resolve causa do endividamento

Especialista apontou em entrevista ao portal LeoDias que iniciativa ajuda a limpar o nome e reforçou que renda ainda é o principal desafio dos brasileiros

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          A educadora financeira Nath Finanças analisou a nova fase do Desenrola Brasil em entrevista ao portal LeoDias e destacou que, embora o programa represente um avanço no combate à inadimplência, ele não ataca o principal problema por trás das dívidas: a falta de renda suficiente para a população.

          Segundo ela, iniciativas como o Desenrola têm impacto positivo imediato ao permitir que consumidores negativados renegociem débitos e recuperem o acesso ao crédito. “Quando a gente fala de programas que incentivam a pessoa a quitar a dívida e sair do nome negativado, isso já abre um caminho mais leve para reorganizar a vida financeira”, afirmou. Atualmente, como afirmou, cerca de metade dos brasileiros enfrenta algum tipo de endividamento, cenário que reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à renegociação.

          Veja as fotos

          Divulgação: Governo Federal
          Desenrola BrasilDivulgação: Governo Federal
          Reprodução: Instagram/@nathfinancas
          Nath FinançasReprodução: Instagram/@nathfinancas
          Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom - Agência Brasil
          Palácio do PlanaltoCrédito: Fabio Rodrigues Pozzebom - Agência Brasil
          Foto: EBC/Arquivo
          Real, moeda brasileiraFoto: EBC/Arquivo
          Reprodução: Instagram/@nathfinancas
          Nath FinançasReprodução: Instagram/@nathfinancas

          Apesar de enxergar o desafogamento das dívidas dos contribuintes, Nath pondera: “Sendo bem direta: isso ajuda a aliviar, não resolve a raiz do problema. O que a gente precisa mesmo é de renda digna. Sem isso, a pessoa até sai da dívida, mas continua vulnerável a voltar”, disse ela.

          Lançado na última segunda-feira (4/5) pelo Governo Federal e criado em 2023, o programa tem como objetivo facilitar acordos entre consumidores e credores, com descontos que podem chegar a até 90% em algumas faixas de dívida, especialmente para pessoas de baixa renda inscritas em programas sociais e que ganham até 5 salários mínimos. Além disso, a iniciativa busca estimular a economia ao reinserir milhões de brasileiros no mercado de crédito.

          Apesar dos benefícios, Nath avalia que a versão atual perdeu em praticidade em relação à anterior. De acordo com ela, o formato inicial era mais direto, permitindo que o consumidor acessasse suas dívidas e negociasse tudo em uma única plataforma digital. “Agora, a pessoa precisa ir até os bancos para entender se aquela dívida faz parte do programa. Isso gera mais dúvida, mais barreira e menos praticidade. Para quem já está sobrecarregado, esse caminho mais complicado pode afastar ainda mais da solução”, criticou.

          Outro ponto de atenção levantado pela especialista é o risco de reincidência no endividamento. Para ela, a maioria das dívidas está ligada ao uso do crédito como complemento da renda, especialmente no cartão. Por isso, há risco real de o contribuinte voltar a se endividar. “A maior parte das pessoas se endivida por conta do cartão de crédito, usando como extensão da renda. E isso acontece porque o salário não acompanha o custo de vida. A pessoa paga uma conta e usa o crédito para cobrir outra”, explicou.

          Ela também faz um alerta sobre a renegociação automática. Nem sempre aceitar um acordo é a melhor saída, principalmente quando os juros já elevaram significativamente o valor original da dívida. A dica da economista é: voltar o olhar para o valor inicial da dívida e entender o quanto de juros foi aplicado.

          Sobre a possibilidade de usar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar débitos, Nath considera o tema sensível. Embora não seja contra, defende que o trabalhador tenha mais autonomia sobre a decisão. “Ao mesmo tempo, existe facilidade para usar esse dinheiro em produtos como consignado. Falta coerência. Dar mais poder de decisão para o trabalhador faria mais sentido”, afirmou.

          Do ponto de vista macroeconômico, a especialista reconhece que programas como o Desenrola Brasil contribuem para aquecer a economia. Ao reduzir a inadimplência, aumentam o consumo e ampliam o acesso ao crédito. Porém, ela reforça que o sucesso a longo prazo depende de medidas estruturais, ou seja, mais importante do que renegociar, é garantir que a dívida não volte.

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