Malévola Alves denuncia abusos e diz que ficou 15 horas presa no Egito
Influenciadora trans afirma que sofreu importunação sexual, discriminação e tratamento degradante durante abordagem policial no Egito
Malévola Alves fez um desabafo após desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, na noite de sexta-feira (23), depois de ser presa por autoridades egípcias. Em entrevista à imprensa, a influenciadora trans relatou os abusos que afirma ter sofrido durante a abordagem e o período em que esteve detida no país. O Portal LeoDias acompanhou a chegada, com a presença dos repórteres Cíntia Lima e Adriel Marques.
Visivelmente indignada, Malévola criticou as mensagens publicadas nas redes sociais por brasileiros que, segundo ela, tentaram justificar os episódios de assédio pela roupa que vestia. A influenciadora afirmou que usar roupas curtas não dá a ninguém o direito de tocar em seu corpo sem consentimento ou tentar beijá-la à força.
Veja as fotos
“O que mais me indigna é ver as mensagens que a gente vê na internet, dos próprios brasileiros atacando e falando: ‘Ai, mas ela estava com uma roupa curta’. Não é porque estou com uma roupa curta que alguém tem o direito de colocar a mão na minha bunda, me assediar ou tentar me beijar”, declarou.
A influenciadora também rebateu as acusações relacionadas aos vídeos produzidos durante a viagem. Segundo ela, as gravações foram feitas com a autorização das pessoas envolvidas e não tiveram a intenção de desrespeitar a população local ou os espaços religiosos.
“Todos os vídeos que a gente gravou foram feitos com o consentimento e a permissão das pessoas envolvidas. A gente não desrespeitou ninguém nem nenhuma mesquita. Estávamos fazendo apenas conteúdo de comédia, e eles viram isso como, eu acho, um motivo para tratar a gente como lixo por sermos trans”, afirmou.
Malévola relata assédio e critica atuação policial
Questionada sobre as acusações de atos obscenos e importunação, que seguem em tramitação no Egito, Malévola criticou a forma como as autoridades conduziram a situação. Ela afirmou que, quando o grupo teria sido alvo de assédio, a polícia não tomou providências, mesmo após receber uma reclamação.
“Amiga, acredito que eles são um bando de hipócritas porque, na hora de assediarem a gente e tocarem na gente, inclusive na nossa amiga Larissa, nós falamos com o policial, mas ele não fez nada”, relatou.
Em seguida, a influenciadora demonstrou revolta com o processo que continua no país e disse que não pretende voltar ao Egito.
“Eu acho que eles são um bando de hipócritas. O processo está rolando lá, e eu quero que eles vão tomar no… porque é um país para onde eu nunca mais quero voltar”, declarou.
Malévola contou que já havia visitado o Egito anteriormente, quando esteve em Alexandria acompanhada da mãe, e que não enfrentou problemas naquela ocasião. Desta vez, segundo ela, a abordagem ocorreu durante um passeio turístico, quando autoridades pararam uma van que transportava vários visitantes.
“Pararam a van inteira, com vários turistas, pegaram só o meu passaporte, o dela e os dos nossos outros amigos brasileiros e levaram a gente para a delegacia. Ficamos mais de 15 horas sentados, sem um copo de água”, afirmou.
Influenciadora diz que foi tratada como criminosa
Ao descrever o período de detenção, Malévola afirmou que se sentiu humilhada e que o tratamento recebido esteve relacionado à sua identidade de gênero. A influenciadora classificou o episódio como violência sexual e discriminação.
“Sim, a gente foi abusada sexualmente, tratada como criminosa e como lixo. Parecia que eu tinha levado drogas para o país. Isso é inadmissível. Apenas por sermos mulheres trans, isso é crime. Até quando esses países vão nos tratar dessa maneira? E eu sou só uma dessas”, desabafou.
Ela também mencionou relatos de outras mulheres trans que, segundo afirmou, enfrentaram dificuldades para entrar em determinados países. Como exemplo, citou a experiência de uma amiga que teria sido impedida de entrar em Dubai por ser trans.
“Ela mesma, quando foi para Dubai pela primeira vez, teve que voltar. Nem chegou a entrar no país por ser trans. Até quando?”, questionou.
Ao concluir a entrevista, Malévola reforçou que os episódios relatados não definem quem ela é e afirmou que não pretende se calar diante do que considera uma injustiça. A influenciadora terminou a declaração com uma manifestação política de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Isso não muda quem somos nem diz respeito ao nosso caráter. Não vamos ficar quietas, e domingo é Lula 13!”, concluiu.
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