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O showbusiness no Brasil vive a sua maior crise pós-pandemia

Hoje, a única certeza é que aqueles que já construíram uma trajetória sólida e entraram para a história da música dificilmente serão abalados por essa crise

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A Festa do Peão de Americana, no interior de São Paulo, já começou e vai movimentar o mercado da música nesta e na próxima semana. Mas, por trás de um dos maiores eventos do calendário sertanejo do país existe uma realidade que preocupa quem vive do setor. O portal LeoDias conversou com empresários contratantes de diversos gêneros musicais e ouviu um diagnóstico praticamente unânime: o mercado de shows está no limite.

A situação de quem vive de eventos no Brasil atravessa um momento de extrema fragilidade. Empresários contratantes estão no limite, muitos prestes a encerrar suas atividades, e artistas viram suas agendas esvaziarem.

E o público, principalmente nos recantos do Brasil afora, tende a ter cada vez menos opções de entretenimento musical. Quem vive da música não enfrentava uma situação tão delicada desde a pandemia de Covid-19, que paralisou todo o setor e atingiu em cheio uma cadeia produtiva que ainda luta para se recuperar completamente.

O que se viu logo após a reabertura dos eventos foi um verdadeiro boom, tanto na quantidade de shows quanto, principalmente, nos cachês dos artistas. Um milhão de reais tornou-se um valor corriqueiro em um mercado como o brasileiro, onde a renda varia bruscamente de região para região.

Era apenas uma questão de tempo. A cada ano ficava mais difícil fechar a conta e 2026 chegou trazendo a crise com toda a sua força. Isso sem falar que os custos logísticos das equipes dos artistas só aumentam. Em 2021, uma viagem para o Nordeste com hospedagem para uma equipe de 25 pessoas custava cerca de R$ 60 mil. Hoje, esse valor dificilmente sai por menos de R$ 150 mil.

Os artistas, por sua vez, resistem a reduzir seus cachês. Enquanto isso, os ingressos vendem cada vez menos. O avanço das bets fez com que parte do dinheiro que antes era gasto na noite migrasse para as apostas. O dinheiro está trocando de mãos, e o sinal vermelho está aceso.

Quem menos sofreu, mais uma vez, foi o setor sertanejo, que possui um calendário fixo, forte e muito bem estruturado. Os sertanejos criaram um ecossistema que vai muito além da apresentação musical. E eles não precisam estar no Top 50 do Spotify para lotar shows, pois cantam a história do nosso país, e não apenas uma moda passageira.

Agora, infelizmente, uma verdade precisa ser dita: graças às prefeituras deste país, o mercado de shows ainda não entrou em estado de calamidade. A verba destinada à cultura na grande maioria dos municípios brasileiros é direcionada à música, que, de fato, é a arte que une o Norte ao Sul do Brasil.

Mas atenção: como o empresário independente consegue faturar em meio a tudo isso? O primeiro ponto é que o evento precisa contar com vários artistas na mesma noite e, de preferência, com pelo menos seis horas de apresentações. Por quê? Porque o bar é fundamental para a lucratividade do evento — muitas vezes mais importante do que a própria bilheteria. Por isso, artistas que atraem um público com maior consumo de bebidas conseguem, inclusive, cobrar cachês mais altos.

Para finalizar, fica a pergunta: qual é o futuro do mercado de shows no Brasil? Hoje, a única certeza é que aqueles que já construíram uma trajetória sólida e entraram para a história da música dificilmente serão abalados por essa crise. O impacto tende a ser muito maior sobre os artistas de médio porte.

Mas ninguém cresce sozinho. Chegou a hora de os grandes artistas pensarem nos novatos e também reverem seus custos e despesas em prol do futuro da música ao vivo. Afinal, os artistas anônimos de hoje podem ser as grandes estrelas do Brasil amanhã.

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