Alvo de ataques, porteiro diz não se arrepender de denunciar caso do cão Orelha
Porteiro que ajudou a esclarecer a morte do cão Orelha relatou não ter visto as agressões, mas foi alvo de ataques e afirmou não se arrepender da denúncia
O porteiro que ajudou a esclarecer a morte do cão Orelha falou com exclusividade ao portal LeoDias. O vigilante explicou que não presenciou as agressões contra o animal, mas alertou outros colegas sobre a situação. Ainda assim, acabou virando alvo de ataques. Apesar disso, o funcionário destacou que não se arrepende de ter se posicionado, já que foi a partir de sua atitude que o caso ganhou repercussão.
O porteiro iniciou seu relato afirmando que sua atuação se limitou a identificar o grupo de adolescentes envolvidos em confusão no bairro onde trabalhava: “Sou o porteiro que identificou adolescentes fazendo arruaça no bairro da Praia Brava”, iniciou. “Presenciei vandalismo, ofensas e humilhações direcionadas a mim, com ataques pessoais que me marcaram profundamente”, desabafou.
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Na sequência, o vigilante reforçou que não agiu além do que considerou ser seu dever: “Ainda assim, fiz apenas o que achei correto: alertei outros vigilantes para que todos ficassem atentos”, afirmou.
O vigilante fez questão de esclarecer que não testemunhou o episódio de violência e, ainda assim, enfrentou sérias consequências: “Quero deixar claro que não presenciei agressões ao cachorro Orelha, nem vi ninguém jogá-lo na água. Mesmo assim, acabei pagando um preço alto por me posicionar. Anos de trabalho e dedicação foram colocados em risco, e hoje sou alvo de julgamentos e ataques nas redes sociais”.
Ele também rebateu as acusações que passaram a circular após o caso ganhar repercussão, afirmando que teve sua integridade questionada de forma injusta: “Criaram mentiras a meu respeito, dizendo que me vendi ou que agi de má-fé, o que não é verdade. Sempre estive do lado do povo e da justiça, desejando que os verdadeiros responsáveis sejam identificados”.
Por fim, o porteiro avaliou o impacto de sua atitude e destacou que, apesar das consequências, acredita que sua manifestação teve um efeito positivo ao mobilizar a sociedade: “Hoje, percebo que valeu a pena um simples porteiro se manifestar, porque foi a partir desse posicionamento que nasceu o movimento Justiça por Orelha”, finalizou.
Orelha foi achado em estado grave na Praia Brava no começo de janeiro. Ele chegou a receber socorro, mas, por causa da gravidade dos ferimentos, não resistiu. A Polícia Civil também apura denúncias de maus-tratos contra outro cão comunitário, chamado Caramelo, que teria sido lançado contra a grade de um condomínio e depois jogado no mar na mesma região.
Até o momento, um adolescente teve o pedido de internação representado pela Polícia Civil de Santa Catarina no caso Orelha, enquanto outros quatro adolescentes foram representados no caso Caramelo.
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