“Comida Sem Mesa”: conheça o projeto que já transformou sobras em 100 mil refeições
Iniciativa nasceu entre alunos de uma escola e hoje conecta empresas, escolas e restaurantes a instituições que recebem as doações
O que começou com alguns alunos embalando marmitas com as sobras do almoço de um colégio próximo a Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, se transformou em uma iniciativa de combate ao desperdício e à fome. Até hoje, o “Comida Sem Mesa” já distribuiu mais de 100 mil refeições. O portal LeoDias conversou com Cristiano Chehin, fundador do projeto, para entender como a iniciativa surgiu e ganhou força.
Cristiano se juntava aos colegas para embalar as sobras todas as terças e quintas-feiras, enquanto aguardava o horário das aulas extracurriculares. Ao perceber o impacto que aqueles alimentos tinham na vida de quem os recebia, o jovem decidiu ampliar a divulgação da ação dentro do colégio, com o objetivo de aumentar a arrecadação e também repassar as doações recebidas nos outros dias.
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A gratidão das pessoas que recebiam os alimentos fez com que Cristiano percebesse que poderia ajudar ainda mais gente. “Comecei a mobilizar amigos e familiares de outros colégios em São Paulo para que pudéssemos contar também com a doação de outros estabelecimentos”, contou. Com o crescimento da iniciativa, o projeto passou a receber sobras de empresas, escolas e restaurantes que trabalham com serviço de buffet.
Cristiano destacou ainda que o “Comida Sem Mesa” está embasado em leis que autorizam e incentivam a doação de alimentos, incluindo produtos in natura, industrializados e refeições prontas para o consumo. “Acreditamos que ampliar o conhecimento sobre essas leis pode ajudar a reduzir o receio de estabelecimentos que ainda deixam de doar alimentos”, explicou o jovem.
O fundado do projeto detalhou também como funciona a operação. Nas instituições parceiras, são separados os alimentos que não foram servidos e continuam próprios para consumo. As refeições são colocadas em embalagens fornecidas pelo “Comida Sem Mesa”. Na sequência, a logística é organizada: motoboys recolhem as doações e as encaminham para instituições previamente mapeadas e aptas a receber os alimentos.
Segundo Cristiano, o principal desafio neste momento é equilibrar a expansão do projeto com uma operação organizada. Afinal, é preciso garantir uma logística eficiente, além de segurança e agilidade em todas as etapas. “Nosso objetivo é estruturar cada vez mais a operação, fortalecer nossas parcerias e criar uma rede que permita que o projeto cresça sem perder a qualidade e a regularidade”, contou.
Desde o início do “Comida Sem Mesa”, Cristiano conta que o que mais o marcou foi perceber diretamente o impacto que uma refeição pode ter. “Mais do que um número, as mais de 100 mil refeições distribuídas representam a transformação de alimentos que seriam desperdiçados em refeições para pessoas que precisam delas”, destacou. Para ele, o número também representa a responsabilidade de manter e ampliar esse trabalho.
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