Macaco-prego que invadiu casas de luxo em Salvador morre após resgate; tutor suspeita de envenenamento
O tutor do animal, o ex-deputado estadual Marcell Moraes, levantou a suspeita de envenenamento e cobrou uma investigação sobre as circunstâncias da morte
O macaco-prego Alcebíades, que entrou em residências do condomínio de alto padrão Alphaville 2, em Salvador, na segunda-feira (5/10), morreu horas depois de ser resgatado por agentes da Companhia de Policiamento e Proteção Ambiental (Coppa). A morte foi comunicada pelo ex-deputado estadual Marcell Moraes (PSDB), responsável pelo animal, e confirmada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).
Após ser contido por agentes da Companhia de Policiamento e Proteção Ambiental (Coppa), vinculada à Polícia Militar, o primata foi levado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), onde passou por avaliação veterinária. Apesar dos cuidados recebidos, ele não resistiu. Marcell Moraes levantou a suspeita de que o animal possa ter sido envenenado e pediu a realização de uma investigação para esclarecer o caso. O ex-parlamentar também afirmou que pretende buscar a responsabilização de eventuais envolvidos.
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Em uma publicação nas redes sociais, o ex-deputado contestou as circunstâncias da morte e defendeu a realização de exames independentes.
“Ele saiu daqui saudável e foi levado pela polícia depois de entrar na casa de vizinhos do Alphaville 2. Agora meu filho está morto, e eu exijo uma perícia séria e independente”, escreveu o ex-deputado no Instagram.
O tutor também declarou que pretende acompanhar as apurações e cobrar esclarecimentos sobre todos os momentos que antecederam a morte de Alcebíades, desde os episódios nas residências até o período em que permaneceu sob os cuidados dos profissionais do Cetas e do Inema.
“Não vou aceitar silêncio, descaso nem impunidade. Vou processar e buscar responsabilização de todos os envolvidos que as provas apontarem. Vou até o fim por justiça para Alcebíades”.
Em nota, o Inema informou que o macaco chegou à unidade de atendimento desacordado, com o nível de consciência comprometido e pouca reação aos estímulos. Durante a avaliação clínica, os profissionais identificaram ferimentos traumáticos na face, associados a um quadro de hipertermia acentuada e aumento da frequência cardíaca.
O órgão também esclareceu que recebeu relatos sobre uma possível ingestão de bebida alcoólica e medicamentos, mas destacou que não há confirmação de que o animal tenha consumido essas substâncias.
“Considerando o histórico relatado pela equipe responsável pela ocorrência e os sinais clínicos observados no momento da admissão e durante o atendimento, foi considerada, entre as hipóteses clínicas, a possibilidade de exposição a agente tóxico. Contudo, os sinais apresentados são inespecíficos e, isoladamente, não permitem confirmar intoxicação, tampouco determinar eventual agente causador”, diz a nota.
De acordo com o instituto, Alcebíades foi submetido a atendimento veterinário e permaneceu em observação, mas morreu às 18h42 da segunda-feira (5). O corpo será encaminhado para necropsia, procedimento que poderá ajudar a identificar a causa do óbito.
Além de investigar as circunstâncias da morte, o Inema informou que vai apurar as condições em que o animal silvestre era mantido e verificar se houve eventual negligência por parte do tutor.
Macaco invadiu residências e feriu moradores
A ocorrência que mobilizou equipes de segurança ambiental aconteceu na segunda-feira (5), quando Alcebíades entrou em diferentes casas do condomínio Alphaville 2, em Salvador. A captura levou aproximadamente três horas e meia.
Durante o episódio, o animal quebrou o vidro de um box, acessou um quarto onde estava um bebê de apenas cinco dias de vida e provocou ferimentos em algumas pessoas.
Moradores também relataram que o macaco teria ingerido bebidas alcoólicas, álcool 70% e medicamentos. Uma residente afirmou que as invasões às casas da região já haviam ocorrido outras vezes.
Diante da situação, os moradores acionaram a Coppa, da Polícia Militar, responsável pela operação de captura. Na ocasião, a corporação informou que a contenção e a imobilização foram realizadas com os cuidados necessários para preservar a integridade do animal e garantir a segurança dos agentes e das pessoas que acompanhavam a ocorrência.
Depois de ser resgatado, Alcebíades foi encaminhado ao Cetas, onde recebeu atendimento especializado. Conforme as informações dos profissionais responsáveis, o macaco já apresentava sinais de debilidade quando chegou à unidade.
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