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Mulher agredida por lutador de jiu-jitsu quebra o silêncio: “Ele falava só em matar”

A mulher contou que foi ameaçada durante o ataque, sofreu uma fratura no rosto e ainda enfrenta dores físicas e emocionais após a violência

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          Atenção: a matéria a seguir contém relatos sensíveis de agressão e violência contra a mulher, que podem causar gatilhos emocionais. Se você é vítima desse tipo de violência ou conhece alguém que esteja passando por essa situação, procure ajuda e denuncie. Ligue 180.

          Uma das mulheres agredidas pelo lutador de jiu-jítsu Lucas Portela Fontana Gomes em um condomínio na Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro, contou que temeu morrer durante o ataque. A vítima sofreu uma fratura no rosto, ainda sente dores e afirma que o agressor ameaçava matar os moradores do prédio.

          Em entrevista à GloboNews, a mulher relatou que o homem demonstrava intenção de matar e repetia ameaças durante as agressões. “Ele tinha ódio, muito ódio. Ele estava com a intenção de matar alguém. Ele falava o tempo todo só em matar”, afirmou.

          Veja as fotos

          Lutador de Jiu-Jitsu é preso após espancar mulher em elevador no Rio de Janeiro / Foto: Reprodução G1
          Lutador de Jiu-Jitsu é preso após espancar mulher em elevador no Rio de Janeiro / Foto: Reprodução G1
          Lutador de Jiu-Jitsu é preso após espancar mulher em elevador no Rio de Janeiro / Foto: Reprodução G1
          Lutador de Jiu-Jitsu é preso após espancar mulher em elevador no Rio de Janeiro / Foto: Reprodução G1
          Lutador de Jiu-Jitsu é preso após espancar mulher em elevador no Rio de Janeiro / Foto: Reprodução G1
          Lutador de Jiu-Jitsu é preso após espancar mulher em elevador no Rio de Janeiro / Foto: Reprodução G1
          Lutador de Jiu-Jitsu é preso após espancar mulher em elevador no Rio de Janeiro / Foto: Reprodução G1
          Lutador de Jiu-Jitsu é preso após espancar mulher em elevador no Rio de Janeiro / Foto: Reprodução G1

          Segundo a vítima, o agressor ordenou que ela se ajoelhasse e começou a espancá-la quando ela se recusou a obedecer. “Eu não imaginava que iria me atacar daquela forma porque eu não fiz nada. Ele começou mandando eu ajoelhar para me agredir. Eu pensei que ele estivesse de brincadeira, mas não. Ele falou: ‘Ajoelha, ajoelha’. Eu não ajoelhei e ele começou a me espancar”, contou.

          Durante o ataque, a mulher recebeu socos na cabeça e afirmou que o lutador tentou imobilizá-la com um golpe conhecido como “mata-leão”. Ela disse que quase desmaiou e chegou a pensar que não sobreviveria à violência. “Quando ele tentou me dar um mata-leão, eu quase desmaiei, mas consegui reagir. Foi aí que clamei por Deus. Pensei: ‘Meu Deus, será que eu vou morrer?’. Eu estava ficando sufocada”, relembrou.

          A moradora também afirmou que, apesar da presença de outros homens no condomínio, o agressor direcionou os ataques às mulheres. “Só agrediu mulheres. O problema dele era com mulher, não sei por quê. Ele só agrediu as mulheres e tentou invadir apartamento onde tinha mulher”, declarou.

          A vítima contou que mora no prédio há seis anos e nunca havia visto Lucas antes do episódio. Já no hospital, soube que outra moradora, uma idosa, também havia sido agredida e precisou de atendimento médico. Segundo seu relato, o homem ainda teria arrombado portas de apartamentos durante a confusão.

          A mulher afirmou que chegou a pensar que o vizinho estivesse armado, diante das ameaças de morte que fazia. “Do jeito que ele estava agindo, pensei que ele tivesse uma arma e fosse matar todo mundo. Era só isso que ele falava. Repetia que ia matar todo mundo”, contou.

          Mulher sofreu fratura no rosto e ainda sente dores

          Socorrida pelo Corpo de Bombeiros, a vítima foi levada ao hospital, onde recebeu o diagnóstico de uma fratura em um osso do rosto. Ela pode precisar passar por uma cirurgia e ainda sente dores em diferentes partes do corpo. “Eu fraturei um osso no rosto. Talvez tenha que fazer uma cirurgia. Ainda sinto muita dor na cabeça, no braço, na barriga, no abdômen. Estou tomando medicação, mas tenho que retornar para refazer os exames”, relatou.

          Além dos ferimentos, a mulher afirma que tem medo de continuar morando no condomínio e de encontrar novamente o agressor. Ela também destacou que o sofrimento emocional tem sido difícil de superar. “Apesar das dores do corpo, eu acho que a dor da alma é pior. A do corpo a gente cuida, mas agora a da alma já é complicado”, desabafou.

          A vítima demonstrou preocupação com a possibilidade de o suspeito voltar a atacar outras pessoas e afirmou que teme que alguém perca a vida. “Ele poderia ter tirado a vida de alguém, igual à senhorinha que ficou desacordada no chão. A minha também. Ou até mesmo de uma criança. É muito assustador, porque, se ele fez isso comigo, vai fazer com outras pessoas, outras mulheres, até chegar ao ponto de matar alguém”, afirmou.

          Ainda em recuperação, a mulher diz que precisa ter segurança para continuar vivendo no prédio. “Eu preciso ter a certeza de segurança aqui no condomínio. Se ele voltar para cá, já não sei como vai ser. É uma pessoa que passa medo. Não dá para conviver”, declarou.

          Defesa das vítimas pede medidas protetivas

          A advogada criminalista Marisa Dreys, que representa as mulheres agredidas, afirmou que já solicitou medidas protetivas. Segundo ela, o trabalho jurídico busca acolher as vítimas, garantir a segurança delas e reunir provas para a investigação.

          Marisa também destacou que as imagens das câmeras de segurança registraram apenas parte da violência sofrida pelas mulheres. “Essas imagens mostram a violência do ato, mas elas não mostram o medo, a dor e as consequências que essas mulheres terão daqui para frente”, afirmou.

          A advogada explicou que a atuação da equipe também envolve a coleta de provas para contribuir com o andamento do caso. “A nossa atuação jurídica, técnica, é no sentido de acolhimento em primeiro lugar, das medidas protetivas que já foram solicitadas e da coleta de provas para facilitar a instrução criminal da melhor maneira”, acrescentou.

          A criminalista ainda elogiou o trabalho dos policiais envolvidos na ocorrência. “É preciso destacar o excelente trabalho da polícia, porque, ainda que haja leis, se elas não forem bem aplicadas, isso não adianta nada. O que eu pude presenciar foi um excelente trabalho da delegacia”, declarou.

          Como aconteceram as agressões na Tijuca?

          Lucas Portela Fontana Gomes, de 32 anos, foi preso na quinta-feira (05/11), após agredir pelo menos duas mulheres em um condomínio na Tijuca. Uma das agressões foi registrada por uma câmera de segurança instalada no elevador do edifício.

          Segundo os relatos reunidos na investigação, a confusão começou por volta de 1h, quando Lucas teria invadido o apartamento de uma vizinha, no terceiro andar, e agredido uma idosa. Familiares da mulher conseguiram sair do imóvel e foram até a portaria pedir ajuda.

          Uma segunda moradora ouviu os gritos e os pedidos de socorro. Ao saber que a idosa estava sendo atacada, ela subiu para verificar o que estava acontecendo, mas encontrou Lucas próximo ao elevador. De acordo com as imagens de segurança, o homem, que estava sem camisa e descalço, ordenou que ela se ajoelhasse e começou a agredi-la.

          Pela manhã, policiais militares do 6º BPM (Tijuca) e agentes da Guarda Municipal foram acionados. Segundo o registro da ocorrência, Lucas reagiu à abordagem e tentou pegar a arma de um dos policiais. Os agentes atiraram nas pernas dele, mas o homem continuou resistindo à prisão e tentou subir pelas escadas. Ele foi imobilizado após o uso de uma arma de choque.

          Lucas, que é lutador de jiu-jítsu, foi preso em flagrante por tentativa de feminicídio. Posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva, e ele foi encaminhado ao Presídio de Benfica.

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