Número de mortos em operação no Rio supera Carandiru e se torna a mais letal da história do país
Segundo dados da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, a ação resultou na morte de 119 suspeitos, prisão de 113, sendo 33 de outros estados, e na apreensão de 118 armas, sendo 91 fuzis
Mais de trinta anos após o massacre do Carandiru, que deixou 111 presos mortos em São Paulo, o país volta a enfrentar uma tragédia de proporções inéditas. A megaoperação nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, já registra um número de vítimas superior ao do episódio de 1992, sendo considerada a ação policial mais sangrenta do Brasil.
Dados oficiais divulgados na terça-feira (28/10) apontavam 64 mortes, entre elas 60 suspeitos e 4 policiais. No entanto, o cenário piorou durante a madrugada desta quarta-feira (29/10), quando moradores da Penha levaram ao menos 64 novos corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas. De acordo com a Polícia Militar, esses corpos não constam no balanço divulgado anteriormente, elevando o total para ao menos 119 mortos.
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Peritos ainda analisam as circunstâncias das mortes e tentam confirmar se todas estão ligadas à operação, que contou com 2,5 mil agentes e vinha sendo planejada havia dois meses para conter o avanço do Comando Vermelho (CV), maior facção criminosa do estado do Rio de Janeiro.
Novo marco da violência
O massacre do Carandiru, ocorrido em 1992, ficou gravado na história como o ápice da repressão policial dentro do sistema prisional. Na ocasião, 341 integrantes da Tropa de Choque invadiram o Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo para conter uma rebelião. Foram disparados 3,5 mil tiros em apenas 20 minutos, resultando em 111 presos mortos, muitos deles executados à queima-roupa.
A operação realizada no Rio de Janeiro expôs níveis de letalidade inéditos em confrontos urbanos. Moradores relatam corpos abandonados em áreas de mata, como a Serra da Misericórdia, além de denúncias de execuções e desaparecimentos.
Pronunciamento das autoridades
O governo do Rio classificou a ação como uma “operação contra narcoterroristas”, expressão usada pelo governador Cláudio Castro (PL) para justificar o alto número de mortos. O termo, no entanto, gerou forte reação de organizações de direitos humanos, que afirmam que a retórica do governo pode estimular o uso indiscriminado da força e perpetuar práticas históricas de extermínio em favelas.
A operação também evidenciou uma mudança no padrão de confronto entre o tráfico e as forças de segurança. Em um episódio sem precedentes, traficantes utilizaram drones para lançar granadas contra policiais do Bope e da Core, uma estratégia típica de zonas de guerra.
Desdobramentos e novos alvos
Mesmo sem encerrar as investigações sobre as mortes, o governo estadual já prepara novas ações contra o Comando Vermelho em outras regiões dominadas pela facção. A ofensiva na Penha tinha como objetivo capturar Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como principal liderança do grupo na área, mas ele segue foragido.
Dois de seus aliados foram presos: Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, descrito como braço-direito de Doca, e Nikolas Fernandes Soares, considerado o operador financeiro da organização. A ação também resultou na prisão de 113 suspeitos, sendo 33 de outros estados, e na apreensão de 118 armas, sendo 91 fuzis.
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