Polícia aponta que academia usava em um dia a carga de cloro recomendada para uma semana em piscina
Para o delegado, a prática tinha relação direta com a manutenção contínua das atividades, sem interrupções, no intuito de obter lucro máximo
A Polícia Civil afirmou nesta quinta-feira (12/2) que a academia C4 Gym utilizava, em apenas um dia, a quantidade de cloro que, segundo parâmetros técnicos, deveria ser aplicada ao longo de uma semana em piscinas do mesmo porte. A declaração foi feita pelo delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial, localizada no Parque São Lucas, zona Leste de São Paulo, durante coletiva de imprensa sobre o avanço das investigações.
Segundo o delegado, a apuração revelou indícios de interferência dos empresários na condução do caso desde as primeiras horas após o episódio.
“Ficou evidenciado, bem claro, aqui na nossa investigação a manipulação por parte dos empresários, então eles ocultaram um outro manobrista, eles tentaram atrasar a oitiva do Severino, eles mandaram esse outro manobrista, que é o Sr. Reginaldo, compareceram a noite lá e não souberam explicar ao certo porque eles mandaram o Reginaldo ir 21h na academia.”
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De acordo com a autoridade policial, Reginaldo teria sido orientado a comparecer ao local sob a justificativa de abrir janelas para dispersar o odor de cloro. No entanto, a versão não se sustentaria, pois no local não há janelas.
“O Reginaldo primeiro alega que pediram para ele ir abrir as janelas, mas no local onde fica as piscinas não há janelas, o local é lacrado, não há janelas, então não teria como abrir as janelas para dispersar os gases e percebesse que se houvesse as janelas, eles buscavam dificultar a investigação, na medida em que eles abrindo as janelas eles esperavam dispersar os gases do ambiente para quando chegasse a perícia ou a polícia no domingo o ambiente parecesse normal, o que foi impossível, porque se a gente entrar na academia agora, que fica do outro lado da rua, o cheiro de cloro permanece muito forte.”
A polícia afirma que o forte odor persistente reforça a tese de uso excessivo de produto químico em ambiente fechado. Ainda segundo Alexandre Bento, os autos indicam que a dosagem aplicada fugia completamente do padrão técnico esperado para o tipo de piscina existente no estabelecimento.
“Porque há narrativas nos autos, que eles chegavam a usar em um dia na academia uma medida que normalmente para esse tipo de piscina, dentro do padrão, é utilizado em uma semana. A carga de cloro que eles usavam em um dia é usada em uma semana em uma piscina desse tipo.”
Para o delegado, a prática tinha relação direta com a manutenção contínua das atividades, sem interrupções, no intuito de obter lucro.
“E eles faziam tudo isso visando lucro máximo para que a piscina nunca fosse fechada, então eles davam aula de segunda a segunda, faziam a manutenção ainda com as pessoas ali, justamente para evitar fechar a piscina. Qualquer técnico tem conhecimento que no momento da manutenção do produto o local deve estar apenas com os técnicos, sem a presença de terceiros, e que após a aplicação desse produto há a necessidade de aguardar o período de descanso da água para que ela possa voltar a ser utilizada.”
A investigação apura a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, além da intoxicação de outros frequentadores. O marido dela segue internado em estado grave na UTI, assim como um adolescente de 14 anos. Os três proprietários da academia foram indiciados por homicídio com dolo eventual, e a Justiça ainda deve analisar o pedido de prisão.
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