Pressão contra casal Nardoni cresce em São Paulo e denunciante detalha pedido ao MP
Documento com mais de duas mil assinaturas foi entregue ao Ministério Público e tramita judicialmente; moradores relatam medo
Um abaixo-assinado com mais de duas mil assinaturas, organizado por moradores da zona Norte de São Paulo, pede que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá deixem o bairro de Santana, onde vivem atualmente. O portal LeoDias recebeu com exclusividade o documento, protocolado no Ministério Público pelo deputado estadual suplente em São Paulo, Agripino Magalhães (MDB), após denúncias de intimidação e medo entre vizinhos, que afirmam não aceitar a presença do casal condenado pelo assassinato da menina Isabella Nardoni, em 2008. Em entrevista ao portal, Agripino e seu advogado, Angelo Carbone, divulgaram mais detalhes sobre o caso.
Ambos defendem que a permanência do casal em liberdade, circulando em locais públicos da região de Santana e Tucuruvi, como shoppings, supermercados e academias, causa revolta e insegurança. “Eles fazem caminhadas por ali e recentemente foram até um supermercado próximo à residência deles fazer compras numa boa. Várias pessoas que estavam no local viram eles comprando doces, comidas, enchendo seus carrinhos de alimentos, como se fossem pessoas inocentes, como se fossem pessoas que não devessem nada para a sociedade”, disse Agripino.
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“A impressão que dá é que eles estão assim: ‘Ah nós vencemos, nós matamos mesmo e vencemos’. Então, eles nem acabaram de cumprir a pena. Um está em condicional e a outra está em regime aberto”, argumentou Carbone.
Segundo eles, a mobilização não se limita ao abaixo-assinado. A iniciativa prevê ainda pedidos formais ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que sejam revistas as condições da liberdade concedida ao casal. “E tem mais: eles voltaram para o local do crime. Não é o mesmo apartamento em que eles jogaram a menina, mas é um outro apartamento , próximo aos 5 minutos de onde eles assassinaram a Isabela Nardoni. […] Ou seja, é inacreditável que a gente tenha ainda que tolerar essas pessoas na rua”, reforçou Agripino.
O advogado Angelo Carbone explicou que o pedido ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) busca a abertura de um procedimento para apurar as condições da liberdade de Nardoni e Jatobá. “Eles não podem afrontar a sociedade. Lá, eles estão afrontando os peritos que provaram que eles jogaram a menina da janela, em vez da menina ter pulado; eles estão afrontando o delegado de polícia da cidade; eles estão afrontando os moradores. Santana é um bairro fantástico, tem tudo lá. Está todo mundo falando do medo que eles têm desses dois elementos, desses perniciosos. Essas pessoas tem que voltar para a cadeia; se não tem, deviam sair da cadeia e ir pro hospício. É uma linha de segurança porque não é normal, eles estão dando risada na frente de todo mundo”, afirmou.
Agripino disse ainda que o casal voltou até o cadeirão da Penitenciária Feminina e Masculina de Tremembé, em São Paulo, numa data próxima às gravações da série da Prime Video/Amazon MGM, que tem como data prevista de estreia o dia 31 de outubro. A produção dramatiza a rotina da chamada “penitenciária dos famosos” e inclui personagens baseados em casos reais, como o de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. “Na data do dia 11 de agosto, nós vimos o casal em um supermercado no bairro de Santana. Várias pessoas também que estavam no supermercado viram eles”, disse.
O político, que também é presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, revelou que tentou contato com a mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, mas ficou sem resposta. Hoje, ela é vereadora em São Paulo e defensora ativa da infância: “Tentamos fazer contato há uns 3 meses, passei recado e tudo mas ela não respondeu”, disse o advogado Angelo Carbone. “Respeitamos o espaço dela, a gente tem uma luta não só nesse sentido, mas outras que encabeçamos em prol da nossa sociedade”, completou Agripino, que deixou claro a tentativa de levar assuntos como esse à Alesp e à Brasília.
A reportagem publicada inicialmente pelo portal LeoDias trouxe visibilidade ao movimento e fez crescer o número de moradores interessados em assinar o documento. De acordo com Magalhães, há relatos de pessoas que preferem não se identificar por receio de represálias, mas que apoiam a iniciativa. “Você me pergunta: ‘Por que estão fazendo isso?’ Logo na minha adolescência, eu dediquei 16 anos da minha vida à Pastoral da Criança, um órgão ecumênico da Igreja Católica. Eu conheço realmente quantas crianças são expurgadas, são até mesmo assassinadas, vendo o exemplo dessas pessoas que foram presas e hoje estão soltos”, completou o suplente.
O portal LeoDias procurou a defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá para esclarecimentos sobre as acusações. Representados pelo escritório Podval Advogados Associados, foi afirmado brevemente que o caso de seus clientes já conta com manifestação nos autos da Execução Penal.
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