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Antes de se aposentar, Barroso pede votação sobre descriminalização do aborto

Ministro quer deixar seu voto registrado em julgamento sobre interrupção da gravidez até a 12ª semana antes da aposentadoria

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          No seu último dia como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso solicitou ao presidente da Corte, Edson Fachin, a realização de uma sessão virtual extraordinária para retomar o julgamento que discute a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. O pedido foi feito nesta sexta-feira (17/10), véspera de sua aposentadoria, que se inicia neste sábado (18/10).

          A movimentação do ministro representa uma reviravolta. Em 2023, Barroso havia pedido destaque na ação, o que retirou o tema do plenário virtual e o transferiu para o presencial. Agora, ao cancelar esse pedido, ele devolve o processo à modalidade virtual, permitindo que seu voto seja computado antes de deixar o tribunal.

          Veja as fotos

          Foto: Antonio Augusto/STF
          Luís Roberto Barroso deixa o cargo de presidente do STF a partir desta sexta-feira (17/10)Foto: Antonio Augusto/STF
          Crédito: Reprodução STF
          Supremo Tribunal Federal (STF)Crédito: Reprodução STF
          Reprodução: YouTube/STF
          Também estiveram presentes na cerimônia os convidados: o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos/PB); o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); o antecessor de Fachin na presidência do STF, ministro Luís Roberto Barroso; e o presidente do Senado Federal que não está no frame de vídeo, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP)Reprodução: YouTube/STF
          Reprodução: Agência Brasil
          Jorge Messias, advogado-geral da UniãoReprodução: Agência Brasil
          Reprodução: YouTube/Canal Gov
          Lula falou sobre as recentes negociações com Trump durante telefonema e brincou com fala do presidente americanoReprodução: YouTube/Canal Gov

          O processo em questão é a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442, apresentada pelo PSOL em 2017, que busca descriminalizar o aborto voluntário nas 12 primeiras semanas de gravidez. Até o momento, apenas a ex-ministra Rosa Weber votou, manifestando-se favorável à descriminalização pouco antes de sua aposentadoria, no ano passado. Barroso segue caminho semelhante.

          Durante os dois anos em que presidiu o STF, o ministro evitou pautar o caso, alegando que o debate exigia maturidade institucional e social. Em entrevistas recentes, ele declarou que “ser contra o aborto é diferente de defender a prisão de uma mulher que passou por esse infortúnio”, reforçando seu entendimento de que a criminalização viola direitos fundamentais.

          A posição de Barroso sobre o tema é conhecida. Em 2016, na Primeira Turma do STF, ele, Rosa Weber e Edson Fachin se manifestaram pela descriminalização em um habeas corpus envolvendo médicos de uma clínica clandestina no Rio de Janeiro. Na ocasião, o ministro argumentou que a punição estatal afronta direitos como a autonomia feminina e a integridade física e psíquica da gestante.

          Atualmente, o aborto é permitido no Brasil em casos de estupro, risco à vida da mãe e, desde 2012, quando o feto é anencéfalo. A proposta do PSOL amplia essas permissões, defendendo a interrupção voluntária até a 12ª semana, independentemente da situação da mulher.

          Fontes próximas ao Supremo indicam que, mesmo com o voto de Barroso, a tendência majoritária da Corte ainda é contrária à descriminalização. Apenas Fachin e possivelmente Cármen Lúcia são apontados como favoráveis.

          Com o registro do voto, o sucessor de Barroso, que deve ser o atual advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não poderá se manifestar nesse julgamento.

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