Defesa de Filipe Martins acusa PF de distorcer investigação: “Teoria absurda”
Advogada de Filipe Martins denuncia contradições e acusa a Polícia Federal de manter viva uma narrativa sem provas sobre suposta fuga aos EUA
A defesa de Filipe Martins, ex-assessor especial do ex-presidente Jair Bolsonaro, fez duras críticas à nova linha de investigação da Polícia Federal, que agora sustenta que o ex-integrante do governo teria simulado a própria entrada nos Estados Unidos no fim de 2022. A advogada Ana Bárbara Schaffert classificou, para a Revista Oeste, a hipótese como absurda e denunciou o que considera uma tentativa de manter vivo um inquérito sem fundamentos concretos.
Segundo a defesa, a PF alterou novamente sua narrativa sobre o caso, levantando suspeitas de manipulação nas conclusões do relatório final. “Seria cômico se não fosse trágico”, afirmou Bárbara. “É uma tentativa criativa, mas que não tem pé nem cabeça e não se sustenta diante das evidências do processo.”
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A advogada questiona a lógica da nova teoria, que sugere que Filipe teria forjado a própria entrada em solo americano com um passaporte perdido e cancelado quase dois anos antes da suposta viagem. “Como o Filipe Martins teria forjado uma entrada nos EUA com um passaporte que havia sido perdido e cancelado quase dois anos antes da suposta viagem?”, questionou. Ela acrescenta que, em abril de 2024, o nome do ex-assessor não constava em nenhum registro oficial do sistema de imigração norte-americano.
O ex-assessor foi preso em fevereiro de 2024 durante a Operação Tempus Veritatis, deflagrada contra Bolsonaro e aliados sob a alegação de envolvimento em atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. À época, a PF alegava que ele havia fugido do país em um avião presidencial, com base em uma lista de passageiros sem validade, extraída de um arquivo do Microsoft Word.
Entretanto, a defesa comprovou que Filipe permaneceu no Brasil e estava em Curitiba (PR) durante o período apontado pela PF. O Ministério Público e a Justiça Federal ainda não se manifestaram sobre a nova versão apresentada pela corporação, mas a defesa vê na mudança de narrativa uma tentativa de justificar prisões e medidas extremas adotadas anteriormente.
A prisão de Filipe Martins ocorreu no apartamento de sua noiva, em Ponta Grossa (PR), e desde então o caso se tornou um dos mais controversos no inquérito sobre suposta tentativa de golpe. Para a defesa, o episódio representa mais um exemplo de abuso de autoridade e perseguição política.
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