Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña é preso após impeachment
A decisão ocorre em meio a uma investigação sobre supostas irregularidades financeiras envolvendo o banco Ueno
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi levado à prisão domiciliar nesta sexta-feira (6/11), em Assunção. A medida foi determinada pelo Ministério Público pouco depois de o Senado concluir a sessão que resultou na perda de seu mandato. A decisão ocorre em meio a uma investigação sobre supostas irregularidades financeiras envolvendo o banco Ueno.
A ordem judicial partiu de quatro promotores responsáveis pela apuração. Assim que a votação no Senado foi encerrada, agentes da polícia federal se dirigiram à residência de Peña para cumprir o mandado.
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Em entrevista à imprensa paraguaia, o promotor Cristian Benítez informou que a determinação tem como fundamento três possíveis delitos: lesão de confiança, tráfico de influência e administração para proveito próprio.
Benítez ressaltou, porém, que os enquadramentos apresentados ainda são preliminares. De acordo com ele, caberá ao Ministério Público aprofundar a apuração para estabelecer quais condutas teriam sido praticadas e em quais circunstâncias.
A relação financeira de Peña com o grupo investigado também está no centro das apurações. Em 2023, o então presidente declarou possuir participação acionária na Ueno Holding, avaliada em 6,144 bilhões de guaranis, aproximadamente R$ 5,41 milhões. O investimento foi vendido em abril de 2025.
Além das ações, Peña informou possuir um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis (cerca de R$ 2,11 milhões) no Ueno Bank e um título da Itti, companhia especializada no desenvolvimento de soluções de tecnologia financeira.
Outro vínculo que passou a ser analisado pelos investigadores envolve o irmão do ex-presidente, apontado como sócio da U Holding SARL. A empresa seria utilizada na estrutura de controle do Ueno Bank.
Denúncia aponta possíveis irregularidades e conflito de interesses
As suspeitas ganharam novos elementos após parlamentares paraguaios apresentarem, na quinta-feira (5/11), uma complementação à denúncia que já estava sob análise do Ministério Público. Conforme informações do jornal local “ABC Color”, o documento acrescenta três episódios à representação original, registrada em 22 de outubro de 2025.
O material levanta dúvidas sobre possíveis favorecimentos e conflitos de interesses entre integrantes do governo, pessoas próximas a Peña e representantes do grupo Ueno.
Entre os pontos questionados está a conduta do Banco Central do Paraguai (BCP) diante dos problemas financeiros enfrentados pela instituição. Os parlamentares sustentam que a autoridade monetária já teria informações sobre a situação do banco desde abril de 2026, mas não teria adotado providências legais em tempo hábil para evitar o agravamento do cenário.
O presidente do órgão regulador, Carlos Carvallo, também é mencionado na denúncia.
Outro aspecto sob investigação diz respeito à movimentação de dinheiro público por meio do Ueno Bank. Entre os órgãos e instituições que mantinham recursos depositados na instituição financeira estão o Instituto de Previdência Social (IPS), a usina binacional de Itaipu, compartilhada entre Brasil e Paraguai, a entidade binacional Yacyretá, administrada em conjunto com a Argentina, e o Ministério da Economia paraguaio.
Diante das suspeitas, os parlamentares solicitaram uma análise individualizada das operações e das autoridades responsáveis por autorizar os depósitos. O objetivo é identificar se as decisões provocaram prejuízos aos cofres públicos ou se houve algum tipo de acordo entre os envolvidos para viabilizar as transações.
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