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Lula admite surpresa com resultado e diz que esperava vencer eleição no primeiro turno

Ao comentar a necessidade de disputar novamente a eleição, Lula afirmou que a ida ao segundo turno faz parte de sua trajetória política e disse estar preparado para uma nova etapa da campanha

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          O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconheceu, na noite deste domingo (4/10), que o resultado do primeiro turno da eleição presidencial ficou abaixo da expectativa que tinha antes da votação. Com cerca de 45% dos votos, o petista avançou para o segundo turno da disputa e enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL). Durante discurso realizado em um evento no Hotel Renaissance, na região dos Jardins, em São Paulo, Lula afirmou que acreditava na possibilidade de encerrar a disputa já neste domingo.

          “Acabamos de ter uma eleição da democracia do Brasil. Precisamos agradecer aos milhões de brasileiros que foram a urna dar seu voto, para deputados, senadores, governadores, presidente. O resultado é muitas vezes inesperado, confesso que estava convencido de que iria ganhar no primeiro turno”, declarou Lula.

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          Foto: Reprodução/ X @lulaoficial
          Lula discursa após primeiro turno das eleiçõesFoto: Reprodução/ X @lulaoficial
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          Lula discursa após primeiro turno das eleiçõesFoto: Reprodução/ X @lulaoficial
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          Lula discursa após primeiro turno das eleiçõesFoto: Reprodução/ X @lulaoficial

          O presidente chegou ao palco por volta das 21h40, recebido por aplausos e gritos de apoio. Entre as manifestações dos presentes estavam “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” e “Brasil, urgente, Lula presidente”.

          Ao comentar a necessidade de disputar novamente a eleição, Lula afirmou que a ida ao segundo turno faz parte de sua trajetória política e disse estar preparado para uma nova etapa da campanha.

          “Eu gostaria de ter ganhado as eleições no primeiro turno, eu pensei isso em 1989, em 1994, em 1998, em 2002, pensei isso com a Dilma em 2010, com o Haddad em 2018, eu pensei em 2022, não deu certo. Porque o povo gosta que eu dispute o segundo turno. Eu sou bom de mata-mata. A partir de amanhã, a gente começa uma nova campanha, uma campanha apenas entre dois candidatos, que a gente vai poder mostrar a diferença entre as propostas que existem para o Brasil”, continuou Lula.

          O petista participou do evento acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), dos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

          Em meio ao discurso, Lula também elevou o tom contra seu adversário no segundo turno. Sem citar diretamente o nome de Flávio Bolsonaro no trecho, o presidente fez críticas à trajetória da família Bolsonaro e associou o grupo a suspeitas e episódios criminosos.

          “Do outro lado, temos apenas incerteza com uma biografia de um passado tenebroso. Não há biografia do pai, do filho. É uma biografia tenebrosa com suspeitas gravíssimas, com relação com os milicianos, com o crime organizado, com os assassinatos do Rio de Janeiro. Tudo isso vai ficar claro e também com a participação na criação do Banco Master, que resultou na maior orgia envolvendo políticos e autoridades desse país”, continuou.

          Lula mira eleitores que não votaram

          Para a segunda etapa da disputa, Lula afirmou que pretende concentrar esforços na parcela do eleitorado que não compareceu às urnas. O presidente mencionou os cerca de 28 milhões de brasileiros que se abstiveram.

          “Nós vamos fazer um apelo para que as pessoas saibam que, neste momento, o voto é necessário para definir o futuro desse país. Segunda-feira, você vai ter um dia de folga para conversar com a dona Lu, eu vou ter um dia de folga para conversar com a dona Janja, e na terça-feira, os bolsonaristas que se preparem”, disse o presidente.

          O petista também antecipou alguns dos temas que pretende levar para a campanha do segundo turno. Entre eles, citou desenvolvimento tecnológico, exploração de recursos minerais, petróleo e políticas de saúde pública.

          “Vamos convencer o povo brasileiro da importância de continuarmos com um projeto tecnológico, de desenvolvimento de terras raras e minerais críticos, da nova descoberta de petróleo, e a gente vai ver o que é a nova indústria do Brasil. Agora até a canetinha de emagrecimento a gente vai fazer com que as pessoas que precisem vão ter de graça pelo SUS. A gente não vai rifar a caneta. Primeiro, a pessoa tem que fazer exercício, cuidar da sua alimentação e, em último caso, se não tiver solução, a gente vai tratar de forma saudável com o ministro Padilha. Então, companheiros e companheiras, termina a primeira fase do Campeonato Brasileiro, e a segunda fase é pro Lula e pro Alckmin ganhar as eleições”, completou.

          Alckmin defende candidatura e critica Bolsonaro

          Também durante o evento, Geraldo Alckmin destacou que a realização do segundo turno está prevista na Constituição e afirmou que a nova etapa permitirá que os eleitores façam novamente sua escolha.

          O vice-presidente agradeceu os votos recebidos e afirmou que pretende iniciar imediatamente a mobilização pela campanha. Em seu discurso, comparou políticas do atual governo com medidas adotadas durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

          “Nós vivemos uma mudança demográfica, o Brasil está mais idoso. Quem pode fazer mais pela saúde? Os negacionistas que levaram a 700 mil mortes na Covid ou o governo do presidente Lula que cuida das pessoas, que prioriza a vida, a saúde da população? Nós vivemos um momento de mudança tecnológica. Quem pode fazer mais pelos mais pobres? O mundo fica bilionário, trilionário, tem uma pessoa que tem mais dinheiro que o estado de São Paulo inteirinho. Quem pode promover justiça social? O presidente Lula não tira imposto de renda para comprar arma, jetski, mas tira de quem ganha até R$ 5 mil. Quem pode salvar a democracia? O presidente Lula não tem como ídolo o coronel Ustra. Aliás, quem é contra a democracia não deveria nem disputar a eleição”, falou. “Vamos conversar com todas as pessoas que votaram em todos os outros candidatos, até no adversário, para reverter esse voto. Rogo a Deus para que uma luz se acenda na cabeça de cada cidadão. À vitória!.

          Presidente lamenta derrotas em São Paulo

          Lula também comentou os resultados das eleições em São Paulo. O presidente lamentou a derrota de Fernando Haddad na disputa pelo governo estadual e afirmou que o resultado representou, em sua avaliação, uma perda para os paulistas. Ele também pediu que o ex-ministro não desanimasse.

          O petista ainda criticou a eleição dos dois senadores apoiados pela chapa do governador Tarcísio de Freitas, em vez de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).

          “Se vocês forem analisar os resultados do governo Tarcísio, nada. Mas ele foi eleito, talvez a culpa seja nossa de não ter tentado mostrar pro povo a realidade. O que eu lamento profundamente é que Haddad perde uma eleição e eu considero que foi uma derrota muito grande do povo de São Paulo. Haddad, você é muito jovem, não desanime não. O que nós precisamos é repensar a maneira como fizemos as coisas. Como o estado de São Paulo deixa de eleger duas mulheres da qualidade da Simone e da Marina? Como é que é possível, neste momento, em que o mundo tem a questão climática… as maiores incertezas climáticas do mundo, a gente tem uma mulher da qualidade da Marina. Será que o povo está certo, ou a gente está certo de reclamar? A história vai mostrar”, falou.

          No encerramento, Lula retomou a defesa de políticas de inclusão social e afirmou que sua administração busca atender toda a população, e não apenas determinados grupos.

          “Nunca se pensou em governar esse país para 100% da população. Quando a gente pensa em governar para 100%, a gente tem que incluir o povo da periferia, como fazer com que as pessoas tenham direito na vida de vencer. Nós nunca fomos perdoados pelas cotas, por trazer gente de periferia para fazer o Prouni, de levar gente muito pobre da universidade fazer universidade. O jogo está sendo jogado, houve a primeira etapa. E nós vamos ganhar essa eleição”, falou.

          Ao concluir o discurso, o presidente foi aplaudido pelos apoiadores, que entoaram “Lula lá”, música que marcou a campanha presidencial de 1989.

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