“Imunda”, deputadas têm discussão acalorada após aprovação da PEC da Blindagem
Troca de ofensas entre Bia Kicis (PL/DF) e Sâmia Bomfim (PSOL/SP) marcou sessão
A sessão que aprovou a chamada PEC da Blindagem terminou em clima de forte tensão. Durante os debates, as deputadas Bia Kicis (PL/DF) e Sâmia Bomfim (PSOL/SP) protagonizaram uma troca de insultos que viralizou nas redes sociais.
Tudo começou quando Sâmia criticou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e lembrou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a mais de 27 anos de prisão pelo STF por tentativa de golpe de Estado. Ela ironizou o futuro do ex-presidente na prisão e provocou: “Fazem isso com o sorriso no rosto. Mas eu quero ver o sorrisinho no rosto de vocês quando Bolsonaro começar a cumprir pena”.
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A fala irritou Bia Kicis, que defendeu o aliado político e chamou a colega de “imunda”. Em seguida, acusou a oposição de perseguir Bolsonaro, citando problemas recentes de saúde do ex-presidente. Sâmia não recuou e devolveu a crítica: “Imunda é não dar vacina para o povo brasileiro durante a pandemia da Covid-19”, respondeu.
PEC da Blindagem aprovada
O embate ocorreu após a Câmara aprovar, em dois turnos, a PEC 3/2021, que determina que qualquer prisão ou investigação contra parlamentares só poderá ocorrer com autorização do Congresso. A proposta foi apelidada por opositores de “PEC da Blindagem” ou até “PEC da Bandidagem”, por dificultar o andamento de processos contra deputados e senadores.
O texto, aprovado por 353 votos a favor e 134 contra no primeiro turno; e por 344 a 133 no segundo, ainda precisa passar pelo Senado. Ele também prevê que presidentes nacionais de partidos sejam julgados exclusivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar da aprovação, pontos polêmicos seguem em disputa. Um deles é o artigo que previa votação secreta para deliberar sobre processos contra parlamentares. Essa parte foi derrubada na madrugada da votação, mas líderes do Centrão já articulam para tentar reinseri-la.
Repercussão política
Para Sâmia Bomfim, a proposta atende a dois grupos: golpistas, que buscam evitar novas prisões, e corruptos, interessados em manter privilégios e escapar de investigações. A deputada ainda criticou parlamentares da base governista que apoiaram a medida, afirmando que o governo Lula deveria se distanciar desse bloco para reforçar compromisso com pautas populares.
Bia Kicis, por outro lado, usou suas redes sociais para reafirmar que apenas respondeu a um “ataque contra Michelle Bolsonaro” e acusou a oposição de promover “ofensas imundas”.
Na sequência, a Câmara deve analisar dois destaques que podem modificar trechos do texto antes do envio ao Senado. Caso seja mantida como está, a PEC exigirá maioria simples em cada Casa para validar pedidos da Justiça.
A única exceção prevista é em casos de crimes inafiançáveis ou flagrante, quando a prisão pode ocorrer imediatamente. Ainda assim, o Congresso terá a palavra final para decidir se a detenção prossegue.
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