Lula rebate chanceler alemão e sai em defesa de Belém: “Berlim não oferece 10%”
Após crítica de Friedrich Merz à cidade-sede da COP30, Lula exaltou cultura e qualidade de vida no Pará
A reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às declarações do chanceler alemão Friedrich Merz dominou sua fala nesta terça-feira (18/11), durante a inauguração de uma ponte entre Tocantins e Pará. O petista rebateu a crítica feita pelo líder europeu à sua passagem por Belém, que sediou a Cúpula dos Líderes da COP30, e afirmou que o alemão “não experimentou nem 10% do que o Pará oferece”.
Antes de abordar os detalhes da obra, Lula dedicou parte do discurso a enaltecer a gastronomia, a música e a hospitalidade paraenses; elementos que, segundo ele, Merz sequer teve tempo ou disposição de conhecer. “O primeiro-ministro da Alemanha esses dias se queixou. ‘Ah, eu fui no Pará, mas eu voltei logo porque eu gosto mesmo é de Berlim’. Ele na verdade devia ter ido num boteco no Pará. Ele na verdade deveria ter dançado no Pará. Ele, na verdade, deveria ter provado a culinária do Pará”, disse o presidente, defendendo que a capital alemã “não oferece para ele 10% da qualidade que oferece o estado do Pará, cidade de Belém”.
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Ao defender o Pará, Lula também aproveitou para comentar o debate sobre os valores altos cobrados durante o período da COP30. O presidente afirmou que a indignação é seletiva, lembrando que preços elevados em aeroportos e shows raramente provocam a mesma reação.
Segundo ele, desde que Belém foi escolhida como sede do evento climático, surgiram resistências baseadas em argumentos estruturais e econômicos. A discussão sobre diárias de hotéis e gastos com alimentação chegou a gerar pedidos de mudança da COP para outra cidade, especialmente entre países em desenvolvimento.
Origem da polêmica
A declaração de Merz foi feita dias antes, no Congresso Alemão do Comércio. Ao mencionar a viagem ao Brasil, o chanceler afirmou que nenhum dos jornalistas de sua comitiva quis permanecer em Belém após a agenda da COP30 e que todos teriam ficado “contentes” ao retornar à Alemanha. A fala repercutiu negativamente no Brasil e se espalhou rapidamente pelas redes sociais.
A primeira resposta do governo brasileiro veio de Gleisi Hoffmann, ministra da articulação política, que classificou o comentário como “preconceituoso”. Líderes paraenses também reagiram. O prefeito de Belém, Igor Normando, chamou a fala de “arrogante”, enquanto o governador Helder Barbalho afirmou que discursos desse tipo dizem mais sobre quem fala do que sobre o local criticado.
Até entidades ambientais entraram no debate. A seção alemã do Greenpeace cobrou publicamente uma retratação de Merz, dizendo que ele “não teve tempo para experimentar a grande hospitalidade do povo de Belém” e tampouco a relevância da capital paraense em uma região-chave para o clima global.
As declarações do chanceler alemão se somam a uma série de episódios em que ele é acusado de comentários xenófobos ou insensíveis. Em outubro, por exemplo, Merz associou problemas urbanos da Alemanha à presença de imigrantes.
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