Na abertura da COP30, Lula pede urgência climática e fala sobre “egoísmos”
Em Belém, presidente condenou negacionismo, defendeu justiça climática e anunciou agenda de articulação com líderes estrangeiros
A cidade de Belém, no Pará, virou vitrine global da agenda verde. Na manhã desta quinta (6/11), durante a abertura da Cúpula de Líderes que antecede a COP30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou pressa e coordenação mundial contra a crise do clima. Para ele, interesses imediatistas e a disseminação de desinformação emperram decisões que deveriam priorizar o bem comum. “A janela de oportunidade que temos para agir está se fechando rapidamente”, disse, ao defender que governos, empresas e cidadãos coloquem o tema no centro de suas escolhas.
O evento reúne chefes de Estado e de governo de mais de 40 países e não decide regras agora: a função é estabelecer diretrizes para as negociações das próximas semanas. Mesmo assim, Lula aproveitou a vitrine amazônica, “primeira COP no coração da floresta”, para reforçar a simbologia do local: rios, biodiversidade, povos originários e cidades que já sentem na pele o impacto de secas, enchentes e extremos climáticos.
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O presidente estruturou seu recado em dois “descompassos” a superar. O primeiro, a distância entre negociações diplomáticas e a realidade das ruas: a população pode não dominar jargões como “toneladas métricas de carbono” ou “sumidouros”, mas percebe a poluição e os desastres. O segundo, a fricção entre geopolítica e urgência ambiental: conflitos e rivalidades desviam recursos que deveriam financiar a transição. Daí a defesa da justiça climática como aliada de combate à fome, à pobreza e às desigualdades.
Além disso, Lula voltou a ancorar o discurso na ciência: alertas acumulados há décadas mostram que o planeta se aproxima de cenários de perdas humanas e econômicas relevantes, como discursou. Por isso, pregou que a conferência seja a “COP da verdade”, com metas factíveis e passos concretos. Entre eles, um “mapa do caminho” para reverter o desmatamento e reduzir a dependência de combustíveis fósseis de modo planejado e justo.
O palco amazônico também serviu para diplomacia. Ao longo do dia, Lula conduz encontros bilaterais com o príncipe de Gales, William; e o premiê britânico, Keir Starmer. As reuniões devem focar em cooperação climática e investimentos verdes. Mais tarde, o presidente se reúne com Emmanuel Macron para tratar de projetos conjuntos de preservação florestal e financiamento internacional do Fundo Amazônia. O roteiro inclui ainda uma mesa temática sobre florestas e oceanos.
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