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Suspeito de corrupção no Pará, deputado joga celulares pela janela ao ver a Polícia Federal

Investigação aponta desvio de recursos públicos, saques em dinheiro vivo que chegam a R$ 48 milhões e uso de empresas e policiais no suposto esquema

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          O deputado federal Antônio Leocádio dos Santos (MDB/PA), conhecido como Antônio Doido, é alvo de uma ampla operação da Polícia Federal (PF) autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação investiga a atuação de uma organização criminosa suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes eleitorais envolvendo verbas públicas no estado do Pará. Em Brasília, agentes estiveram no apartamento funcional do parlamentar, onde localizaram dinheiro em espécie e dois celulares encontrados no gramado do prédio. As imagens foram divulgadas pelo órgão.

          Segundo a PF, os aparelhos teriam sido arremessados pela janela no momento da chegada da equipe. Além do Distrito Federal, a ofensiva policial cumpriu mandados de busca e apreensão no Pará.

          Veja as fotos

          Divulgação: Polícia Federal
          Celulares encontrados no prédio do apartamento funcional do deputado federal Antônio Doido (MDB/PA)Divulgação: Polícia Federal
          Divulgação: Polícia Federal
          Celulares encontrados no prédio do apartamento funcional do deputado federal Antônio Doido (MDB/PA)Divulgação: Polícia Federal
          Divulgação: Polícia Federal
          Celulares encontrados no prédio do apartamento funcional do deputado federal Antônio Doido (MDB/PA)Divulgação: Polícia Federal
          Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
          Deputado federal Antônio Doido (MDB/PA)Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
          Reprodução: Instagram/@antoniodoido
          Deputado federal Antônio Doido (MDB/PA) e presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB)Reprodução: Instagram/@antoniodoido

          As apurações indicam que o grupo investigado movimentou cerca de R$ 48 milhões em saques fracionados realizados entre março de 2023 e outubro de 2024. Para os investigadores, esse tipo de retirada em dinheiro vivo seria uma estratégia para dificultar o rastreamento dos valores, que teriam origem em contratos públicos e emendas parlamentares desviadas por meio de fraudes em licitações.

          Na decisão que autorizou a operação, Flávio Dino afirmou haver indícios consistentes da existência de uma estrutura criminosa organizada. O ministro destacou movimentações financeiras atípicas, conversas e arquivos encontrados em celulares apreendidos, além da possível utilização de policiais militares para transportar grandes quantias em espécie. Também foram mencionadas suspeitas de ligação de investigados com outras práticas ilícitas, como contrabando, agiotagem e tráfico internacional de drogas.

          Entre as medidas determinadas pelo STF estão a quebra de sigilos telemáticos, o bloqueio de bens, a proibição de empresas investigadas participarem de licitações e o compartilhamento das informações com a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU). Porém, foi negado por Dino o pedido para realizar buscas no gabinete do deputado na Câmara, por entender que os fatos investigados dizem respeito ao período em que ele disputava a Prefeitura de Ananindeua, em 2024.

          De acordo com a PF, Antônio Doido teria papel central no esquema, atuando como principal articulador financeiro e responsável pela ocultação dos recursos. Antes de assumir o mandato na Câmara dos Deputados, o parlamentar foi prefeito de São Miguel do Guamá entre 2017 e 2020. Ele se elegeu deputado federal em 2022 e, no ano seguinte, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio estimado em cerca de R$ 3 milhões, incluindo veículos de luxo como uma BMW e um Porsche. Em 2024, tentou novamente concorrer a uma prefeitura, desta vez em Ananindeua, mas obteve menos de 9% dos votos.

          Em nota, o governo do Pará afirmou que todas as contratações seguem os trâmites legais e negou irregularidades. Esta reportagem tenta contato com o deputado Antônio Doido para manifestação. O espaço permanece aberto.

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