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Alteração nos triglicérides: entenda condição que virou alerta para Leonardo parar de beber

Para esclarecer essas questões, o portal LeoDias conversou com a Dra. Deborah Luz, médica cardiologista

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          O cantor Leonardo está há mais de 20 dias sem consumir bebidas alcoólicas após uma alteração nos níveis de triglicérides ser identificada em exames de rotina. A recomendação médica faz parte de uma mudança de hábitos adotada pelo artista e inclui um período de 30 dias sem álcool, seguido de novos exames e avaliação médica.

          Os triglicérides, também chamados de triglicerídeos, são um tipo de gordura presente no organismo e funcionam como uma importante reserva de energia. Quando aparecem em níveis elevados no sangue, podem estar relacionados a diferentes alterações metabólicas e fatores de risco para a saúde.

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          Leonardo atendendo fãs ao chegar na Festa do Peão de BarretosCrédito: Eduardo Martins - Brazil News
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          Poliana Rocha e LeonardoCrédito: Reprodução Instagram @zefelipe
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          Leonardo se derrete com o neto, José LeonardoReprodução: Instagram/@zefelipe
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          Poliana Rocha e LeonardoCrédito: Reprodução Instagram @leonardo

          Segundo a assessoria de Leonardo, a alteração identificada nos exames levou à adoção de uma dieta e à suspensão temporária das bebidas alcoólicas. “Com o resultado dos exames, foi sugerida uma dieta, incluindo 30 dias sem consumo de bebida alcoólica. Em breve, os exames serão refeitos, e terá uma nova avaliação médica”, detalhou o comunicado.

          Mas o que significa ter triglicérides elevados? Qual é a relação entre o consumo de álcool e esse tipo de gordura? E quanto tempo é necessário para que os níveis comecem a baixar?

          Para esclarecer essas questões, o portal LeoDias conversou com a Dra. Deborah Luz, médica cardiologista.

          O que significa ter os triglicérides elevados?

          Os triglicérides são produzidos pelo organismo e também podem aumentar de acordo com a alimentação, o consumo de álcool, o peso corporal e outros fatores. A elevação, no entanto, não necessariamente está relacionada apenas aos hábitos de uma pessoa.

          “Triglicéride é a gordura que o corpo guarda como reserva de energia. Tudo que a gente come e não gasta, principalmente açúcar, pão, massa, refrigerante e bebida alcoólica, o fígado converte em triglicéride e manda para o sangue. Quando o exame vem alto, ele está dizendo uma coisa bem simples: está entrando mais energia do que o corpo consegue queimar. As causas mais comuns são as do dia a dia. Excesso de carboidrato e açúcar, álcool, ganho de peso, sedentarismo. Depois vem o segundo grupo, que é o das causas clínicas: diabetes mal controlado, tireoide lenta, problema renal e alguns medicamentos de uso contínuo. E existe ainda a herança de família. Tem paciente que faz tudo certo, come bem, se exercita, e mesmo assim tem triglicéride alto porque isso corre na família. Por isso o valor alterado não é um julgamento de comportamento, é um ponto de partida para entender o que está acontecendo com aquela pessoa.”

          Por que o álcool pode aumentar os triglicérides?

          O consumo de bebidas alcoólicas está entre os fatores que podem contribuir para a elevação dos triglicérides. Segundo a cardiologista, o álcool interfere diretamente no funcionamento do fígado e pode favorecer o aumento da gordura circulante no sangue.

          “É uma relação direta. Quando a pessoa bebe, o fígado larga o que estava fazendo para metabolizar o álcool, e nesse processo ele produz mais gordura e despeja essa gordura na circulação. Ao mesmo tempo, o álcool atrapalha a limpeza dos triglicérides do sangue. Ou seja, entra mais e sai menos. Tem ainda o que vem junto com a bebida. Cerveja tem carboidrato, drinque tem açúcar, e dificilmente alguém bebe sem petisco. Esse conjunto pesa tanto quanto o álcool em si. Por isso, quando o exame vem alterado, suspender a bebida é quase sempre a primeira orientação. Não é moralismo, é pragmatismo: é a mudança que mexe mais rápido no número.”

          Mesmo o consumo moderado de álcool pode elevar os níveis?

          A quantidade de álcool consumida não produz necessariamente o mesmo efeito em todas as pessoas. De acordo com a especialista, indivíduos que já apresentam determinados fatores de risco podem ser mais sensíveis à bebida.

          “Pode, e isso costuma surpreender. O efeito depende da quantidade, mas depende muito da pessoa. Tem quem tome duas taças no fim de semana e não altere nada, e tem quem seja bem sensível: nesses, a quantidade que todo mundo chama de social já aparece no exame. Quem tende a ser mais sensível? Quem já tem o triglicéride alto, quem está acima do peso, quem tem diabetes ou resistência à insulina e quem tem histórico na família. Então não existe uma dose segura igual para todo mundo. A conta que vale é a do seu próprio exame. Se ele está alterado, o álcool entra na lista do que precisa ser revisto, mesmo que o consumo pareça pequeno.”

          Quanto tempo depois de parar de beber os triglicérides podem cair?

          A mudança pode aparecer em um período relativamente curto, principalmente quando o álcool é um dos principais fatores responsáveis pela elevação dos níveis.

          “Rápido. O triglicéride é o item do exame de sangue que responde mais depressa a mudança de hábito, bem mais rápido que o colesterol. A queda começa nos primeiros dias e costuma ficar clara entre duas e quatro semanas em quem tinha o álcool como causa principal. Quando o valor estava bem alto, a diferença entre um exame e outro pode ser grande, e isso anima bastante o paciente. Só que cair não é o mesmo que resolver. O número acompanha o hábito: se a rotina antiga volta, ele volta junto, na mesma velocidade com que desceu.”

          Trinta dias sem álcool são suficientes para avaliar uma melhora?

          O período recomendado para Leonardo também permite avaliar se a interrupção da bebida terá impacto significativo nos resultados dos exames.

          “Para ter uma boa leitura, sim. Trinta dias já mostram a tendência. Se o número despencou, o álcool tinha um peso grande ali. Se caiu pouco, a causa principal é outra e vale investigar. Dois detalhes mudam o resultado e quase ninguém sabe. O exame precisa ser feito nas mesmas condições do anterior, de preferência no mesmo laboratório e com a mesma orientação sobre jejum. E, nas 72 horas antes da coleta, nada de bebida alcoólica nem de refeição muito gordurosa, porque isso sozinho já altera o valor e confunde a leitura. Uma ressalva importante: 30 dias são um bom teste, não um tratamento. Serve para entender o que estava causando a alteração. Se o valor continuar alterado, o acompanhamento segue.”

          Quais mudanças ajudam a reduzir os triglicérides?

          A suspensão do álcool é apenas uma das possíveis medidas para controlar os níveis. Mudanças na alimentação, atividade física, sono e controle de doenças associadas também podem fazer parte do tratamento.

          “A primeira coisa que eu explico no consultório é que, no caso do triglicéride, cortar açúcar rende mais do que cortar gordura. Muita gente tira o ovo e a carne e mantém o refrigerante e o pãozinho, e aí o exame não melhora.

          Açúcar e farinha branca primeiro. Refrigerante, suco de caixinha, doce, pão branco e massa impactam mais o triglicéride do que a gordura do prato.

          Perder de 5% a 10% do peso. Em quem está acima do peso, essa faixa já derruba o valor de forma consistente.

          Movimento quase todo dia. Uns 150 minutos por semana de caminhada, bicicleta ou dança. O exercício ajuda o corpo a limpar essa gordura do sangue.

          Mais peixe, menos ultraprocessado. Sardinha, atum, salmão, linhaça, azeite e castanha entram. Embutido, fritura e comida de pacote saem.

          Dormir bem conta. Noite ruim e estresse crônico bagunçam o metabolismo inteiro, inclusive esse exame.

          E tratar o que está por trás. Diabetes, tireoide e alguns medicamentos de uso contínuo mexem no triglicéride, e sem acertar isso a dieta sozinha não resolve.”

          Triglicérides elevados provocam sintomas?

          Na maioria dos casos, a alteração não provoca sintomas perceptíveis. Por isso, o problema costuma ser identificado durante exames de rotina.

          “Na imensa maioria dos casos, silenciosa. Triglicéride alto não dói, não incomoda e não aparece no espelho. A pessoa descobre no exame de rotina, muitas vezes sem estar procurando por isso. Sintoma só aparece quando o valor está muito alto. Aí podem surgir bolinhas amareladas na pele, aumento do fígado e, no quadro mais grave, dor forte na barriga com enjoo e vômito, que pode ser pancreatite. Isso é emergência e precisa de atendimento na hora. É justamente por ser silencioso que o exame de rotina importa tanto. Quem não mede, não sabe.”

          Quando os triglicérides passam a representar um risco maior?

          A avaliação dos níveis deve levar em consideração os valores apresentados no exame e as condições em que a coleta foi realizada. A cardiologista explica os parâmetros utilizados na prática clínica:

          “O padrão que usamos na prática, seguindo a diretriz brasileira de dislipidemias, é este:

          e5b10d3d 8b27 4848 9604 1d8385748e5f

          Em exame sem jejum, o valor de referência sobe um pouco, até cerca de 175 mg/dL. Por isso é importante comparar exames feitos na mesma condição. As complicações vêm por dois caminhos. No coração e nos vasos, o triglicéride alto costuma vir acompanhado de HDL baixo, pressão alta, gordura abdominal e resistência à insulina, e esse conjunto acelera a aterosclerose, que é o entupimento das artérias, com risco de infarto e AVC. No outro caminho, valores muito altos podem inflamar o pâncreas e causar pancreatite aguda, além de favorecer a gordura no fígado.”

          O que investigar quando os níveis continuam altos?

          Se os triglicérides permanecem elevados mesmo após mudanças de hábitos, outras causas podem precisar ser investigadas. Entre elas estão alterações metabólicas, doenças, fatores genéticos e determinados medicamentos.

          “Quando a pessoa cortou o álcool, ajustou a alimentação e o exame continua alterado, a investigação vira para as causas secundárias. As mais frequentes são diabetes ou pré-diabetes, tireoide funcionando abaixo do normal, doença renal, alteração no fígado e o uso contínuo de alguns medicamentos, como corticoide, certos anticoncepcionais e reposições hormonais por via oral e alguns diuréticos. Tem também as formas genéticas, que a gente costuma identificar quando o valor é muito alto, não cede com mudança de hábito e aparece em mais de uma pessoa da família. O remédio entra basicamente em três situações: valor muito alto com risco de pancreatite, paciente com risco cardiovascular elevado, ou três a seis meses de mudança de hábito sem resultado suficiente. Existem opções seguras e bem estabelecidas, mas a escolha é individual, depende do valor, do risco de cada um, das outras doenças e do que a pessoa já toma. Isso se define em consulta, nunca por conta própria. E remédio não substitui mudança de hábito, os dois caminham juntos.”

          Quais outros exames devem ser avaliados?

          Os triglicérides não devem ser analisados de maneira isolada. Para avaliar o quadro cardiovascular e metabólico, outros exames e medidas clínicas podem ser considerados.

          “Triglicéride isolado diz pouco. Ele é uma peça de um quadro maior, e a leitura só fica boa quando olhamos o conjunto:

          28824023 3017 4766 8987 c0874abebb9c

          E tem o que não é exame de sangue e pesa tanto quanto: pressão arterial, peso e circunferência abdominal, medidos na consulta. Conforme o risco de cada paciente, ainda podemos pedir ultrassom do abdome para ver gordura no fígado e exames de imagem do coração, como o escore de cálcio coronário.”

          Para a cardiologista, a identificação da alteração nos exames deve ser encarada como uma oportunidade para investigar suas causas e promover mudanças na rotina.

          “Exame alterado não é sentença, é aviso. O triglicéride é dos exames que mais respondem a mudança simples de rotina, e quem descobre cedo tem o trabalho bem mais fácill.”

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