Especialistas explicam quais devem ser os primeiros passos para quem quer parar de fumar
Pneumologista também explicou o que acontece com o corpo quando o paciente para de fumar
Nesta data do dia 29 de agosto, em 1986, foi sancionada a lei Dia Nacional de Combate ao Fumo visando alertar a população quanto aos malefícios do uso do fumo. A reportagem do portal LeoDias entrevistou a pneumologista do Hospital Albert Sabin de São Paulo, Dra. Ingrid Danielle Cardoso Carvalho, que falou do primeiro passo para quem deseja largar o vício e dos benefícios para a saúde. A psicóloga do grupo Mantevida, Laina Amorim também deu dicas para quem deseja parar de fumar.
“O cigarro compromete todo o organismo. É a principal causa de morte no Brasil e está associada a diversos tipos de câncer, como pulmão, bexiga, útero, ovários, pele, intestino e mama. Também acelera o envelhecimento, prejudica a cicatrização, provoca doenças respiratórias como a DPOC [doença pulmonar obstrutiva crônica ] e aumenta o risco de infarto e AVC”, explicou.
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Mesmo quem não fuma é prejudicado com a fumaça do cigarro, segundo destacou a médica. A exposição à fumaça traz prejuízos à saúde de terceiros, reforçando a importância de abandonar o hábito.
Nos últimos anos, entre os jovens, popularizou-se o uso de vape e narguilé. “Todos apresentam riscos importantes. O cigarro é o mais estudado e tem efeitos comprovados sobre uma grande variedade de doenças graves. O vape e o narguilé, embora muitas vezes vistos como alternativas, também expõem o organismo a substâncias nocivas e não devem ser considerados opções seguras”, afirmou.
Ela falou qual é o primeiro passo para quem deseja parar com o vício: “É reconhecer que o cigarro faz mal e ter a decisão firme de parar. A partir desse ponto, buscar acompanhamento profissional aumenta muito as chances de sucesso. O processo costuma envolver etapas bem definidas, uso de medicamentos quando necessário e apoio psicológico. Também é importante identificar gatilhos, como café, álcool ou situações sociais, que estimulam a vontade de fumar e aprender a evitá-los.”
Uma vez que o paciente para de fumar, a recuperação acontece em diferentes fases. “Nas primeiras horas, já é possível observar melhora da pressão arterial e da frequência cardíaca. Em poucas semanas, a circulação e a função pulmonar começam a se restabelecer. A médio e longo prazo, o risco de doenças cardiovasculares e de diferentes tipos de câncer diminui progressivamente, trazendo ganhos reais de saúde e qualidade de vida”, finalizou.
Psicologia aliada na luta contra o vício
Segundo a psicóloga, uma das estratégias fundamentais para parar de fumar seria identificar as situações, emoções e aprender a gerenciar o estresse e a ansiedade sem que aquele indivíduo recorra de forma imediata ao cigarro. “Buscar o apoio de amigos, familiares, grupo de apoio para se sentir mais motivado e confiante”, indicou.
“Uma abordagem que eu gosto muito dentro da psicologia seria a teoria cognitiva comportamental que pode ajudar a mudar padrões de pensamento e comportamentos que atribui para o vício em nicotina. Ela vai ajudar a desenvolver estratégias para lidar, por exemplo, com estresse e ansiedade”, explicou Laina Amorim.
Em se tratando de intervenção medicamentosa, segundo a psicóloga, é a reposição de nicotina, que ajuda muito a reduzir a vontade de fumar e a controlar os sintomas de abstinência. Os medicamentos também antidepressivos podem ser usados para controlar a depressão, por exemplo, em ansiedade, associada ao vício em nicotina. E sempre buscar ajuda de um profissional.
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