OMS afirma que Covid matou três vezes mais pessoas do que apontam registros oficiais
As informações integram o relatório “Estatísticas Mundiais de Saúde”, apresentado pela organização em maio de 2026
Um novo levantamento divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o impacto da Covid-19 foi muito mais devastador do que indicavam os registros oficiais. De acordo com a entidade, entre 2020 e 2023 a pandemia provocou cerca de 22,1 milhões de mortes em todo o planeta, número que supera em mais de três vezes os aproximadamente 7 milhões de óbitos notificados pelos países. As informações integram o relatório “Estatísticas Mundiais de Saúde”, apresentado pela organização em maio de 2026.
A diferença entre os dados oficiais e a estimativa atual é atribuída principalmente à subnotificação de mortes relacionadas ao coronavírus e aos chamados efeitos indiretos da crise sanitária. Nesse segundo grupo estão pacientes que sofreram agravamento de outras enfermidades ou não conseguiram acesso adequado a atendimento médico devido à sobrecarga dos sistemas de saúde.
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Os números reforçam a dimensão da tragédia vivida globalmente e evidenciam fatores que contribuíram para ampliar seus efeitos, entre eles a circulação de informações falsas e a resistência a orientações científicas observadas em diferentes países, incluindo o Brasil.
A pandemia paralela da desinformação
Enquanto o coronavírus avançava pelo mundo, outro fenômeno também ganhava força: a disseminação massiva de conteúdos enganosos sobre a doença. Esse cenário ficou conhecido como desinfodemia, conceito utilizado para descrever a propagação de informações falsas ou distorcidas em larga escala durante emergências sanitárias.
A expressão foi adotada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) com base no estudo “Disinfodemic – Deciphering Covid-19 Disinformation”, divulgado em abril de 2020. O relatório alertava que “a desinformação sobre a Covid-19 cria confusão em relação à ciência médica com impacto imediato em todas as pessoas do planeta e em sociedades inteiras. É mais tóxica e mais mortal do que a desinformação sobre outros assuntos”.
Segundo a pesquisa divulgada pelo “The Conversation”, a desinfodemia se manifestou em diferentes frentes, abrangendo temas como:
- Origem e propagação do coronavírus;
- Divulgação de números falsos ou manipulados;
- Consequências econômicas da pandemia;
- Ataques à imprensa e a veículos de comunicação confiáveis;
- Informações incorretas sobre sintomas, diagnósticos e tratamentos;
- Efeitos sociais e ambientais;
- Disputas políticas relacionadas à crise sanitária;
- Conteúdos criados para obtenção de lucro por meio de fraudes;
- Notícias falsas envolvendo personalidades públicas.
Todos esses elementos foram observados no contexto brasileiro.
Impactos sobre a percepção pública
De acordo com análises produzidas à época, o fluxo constante de informações enganosas influenciou diretamente a forma como parte da população enxergava a pandemia. Isso afetou a compreensão da gravidade da doença e contribuiu para a rejeição de recomendações científicas e sanitárias, incluindo medidas de isolamento defendidas por organismos internacionais.
Embora a circulação de notícias falsas tenha se tornado um dos símbolos desse processo, especialistas destacam que o fenômeno da desinformação é mais amplo. Ele envolve estratégias variadas de manipulação informacional e não se resume apenas à criação de boatos ou conteúdos fraudulentos.
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