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Saiba como age o medicamento experimental que pode devolver movimentos a tetraplégicos

O medicamento inovador, desenvolvido pela cientista brasileira Profª Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, é capaz de promover a regeneração de neurônios comprometidos da medula espinhal, devolvendo os movimentos a pacientes paraplégicos e tetraplégicos

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          Uma proteína presente na placenta humana está no centro de uma pesquisa brasileira que busca restaurar movimentos perdidos após lesões graves na medula espinhal. A substância, chamada laminina, deu origem a um medicamento experimental conhecido como polilaminina, atualmente em fase de testes clínicos. As informações são da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).

          O que acontece na lesão medular

          A medula espinhal é responsável por transmitir os comandos do cérebro para o restante do corpo. Quando ocorre um trauma severo — como em acidentes de carro, quedas ou mergulhos com impacto na cabeça, essa comunicação é interrompida. O resultado pode ser paraplegia ou tetraplegia, dependendo da extensão e da altura da lesão.

          O grande desafio da medicina é que o sistema nervoso central tem capacidade limitada de regeneração. Após o trauma, forma-se uma espécie de “cicatriz” no local afetado, dificultando que os neurônios reconectem os circuitos responsáveis pelo movimento.

          Veja as fotos

           Foto: Ana Branco / O Globo
          Polilaminina, medicamento desenvolvido por cientista brasileira que fez seis tetraplégicos recuperarem os movimentos Foto: Ana Branco / O Globo
          Foto: Divulgação
          Tatiana Coelho de Sampaio coordena pesquisa da UFRJFoto: Divulgação
          Foto: FAPERJ
          Tatiana Coelho de Sampaio é professora e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, do Instituto de Ciências BiomédicasFoto: FAPERJ
          Foto: Dani Dacorso/Divulgação
          Tatiana Coelho de Sampaio coordena pesquisa da UFRJFoto: Dani Dacorso/Divulgação
           Foto: Ana Branco/O Globo
          Tatiana Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da UFRJ e responsável pela polilaminina, medicamento experimental com potencial de recuperar lesões medulares Foto: Ana Branco/O Globo

          O papel da laminina

          Foi nesse ponto que os pesquisadores apostaram na laminina. A proteína, naturalmente produzida pelo organismo e abundante na placenta, participa do desenvolvimento do sistema nervoso ainda na fase embrionária. Ela atua como uma espécie de suporte estrutural que orienta o crescimento e a organização das células nervosas.

          No medicamento experimental, a laminina é reorganizada na forma de polilaminina. A proposta é criar um ambiente favorável para que os neurônios danificados consigam atravessar a área lesionada e estabelecer novas conexões. Com isso, os impulsos elétricos voltam a percorrer o trajeto interrompido, permitindo a retomada gradual dos movimentos.

          Segundo a coordenadora da pesquisa, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a estratégia busca reproduzir um mecanismo natural do próprio corpo.

          “A proteína é uma opção mais simples, pois é produzida pelo organismo naturalmente para ajudar no processo de regeneração do sistema nervoso. O que estamos fazendo é apenas imitar a natureza.”, afirma a pesquisadora da UFRJ, Tatiana Sampaio, em entrevista à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj)

          Como o medicamento é aplicado

          Nos testes realizados até agora, a substância é administrada diretamente na medula espinhal por meio de injeção no local da lesão. A aplicação precoce, em alguns casos, foi associada a respostas mais rápidas.

          Entre os participantes está o bancário Bruno Drummond de Freitas, que recebeu o tratamento 24 horas após um acidente automobilístico. A evolução surpreendeu a equipe médica.

          “No início, os médicos disseram que eu ficaria em cadeira de rodas para o resto da vida. Depois, que talvez conseguisse andar com muletas. Mas eu nunca perdi a esperança. Um dia, ainda no hospital, mexi o dedão do pé e aquilo foi um choque para todo mundo. A cada semana, eu evoluía mais”, contou Bruno em entrevista à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj)

          Evidências e próximos passos

          Antes de chegar aos pacientes, a polilaminina foi testada em modelos animais com lesões severas. Em estudos com cães, quatro dos seis que receberam a aplicação recuperaram movimentos, segundo dados da pesquisa.

          O desenvolvimento clínico do medicamento conta com parceria do Laboratório Cristália. Para que a terapia possa ser disponibilizada comercialmente, ainda será necessária a conclusão das próximas fases de testes e a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável pela regulamentação de medicamentos no Brasil.

          Enquanto isso, os pesquisadores seguem avaliando segurança, dosagem ideal e eficácia em maior escala. Se confirmados os resultados iniciais, a polilaminina poderá representar um novo caminho no tratamento de lesões medulares — uma área em que, até hoje, as opções terapêuticas são limitadas.

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