Opinião: Globo deveria olhar com mais atenção para Sérgio Malheiros
Ator construiu uma carreira sólida no streaming, mas tem potencial para assumir o protagonismo de uma novela
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A segunda temporada de “Amor da Minha Vida”, do Disney+, reforça uma impressão que tenho há algum tempo: Sérgio Malheiros está fazendo falta nas novelas da Globo. Aos 33 anos, o ator vive um excelente momento profissional, acumula trabalhos no streaming e demonstra uma maturidade artística que merecia ser aproveitada também na televisão aberta. Especialmente agora, quando a emissora tem apostado tanto na nostalgia e no reencontro do público com rostos que marcaram diferentes gerações.
Sérgio tem uma vantagem que não se conquista de uma hora para outra: o público cresceu com ele. O menino que conquistou o Brasil como Raí, em “Da Cor do Pecado”, em 2004, tornou-se um ator experiente, versátil e com potencial para assumir o protagonismo de uma novela. E o mais interessante é que ele não depende da lembrança daquele personagem para continuar relevante.
E existe algo muito interessante nessa trajetória. Sérgio carrega uma memória afetiva que poucos atores de sua geração possuem. Quem acompanhou sua estreia ainda criança hoje pode reencontrá-lo como protagonista de histórias adultas. É justamente esse tipo de reconhecimento que ajuda a criar uma conexão imediata entre o público e um personagem.
Sua última novela antes de um longo intervalo havia sido “Verão 90”, em 2019. O retorno aconteceu no fim de 2025, quando interpretou Lourival Piselli em “Êta Mundo Melhor!”, trama das seis da Globo. Na história, viveu um empresário artístico que se aproximou de Dita (Jeniffer Nascimento). Foi uma oportunidade de reencontro com o gênero, mas Sérgio tem potencial para muito mais.
E não se trata de um ator que ficou esperando o telefone tocar. Muito pelo contrário. Nos últimos anos, ele se consolidou no streaming. Em “Impuros”, produção do Disney+, interpreta Wilbert, personagem que acompanha a trajetória de uma das séries brasileiras mais longevas da plataforma. Agora, voltou a ganhar destaque como Victor na segunda temporada de “Amor da Minha Vida”, lançada em outubro, dividindo o protagonismo com Bruna Marquezine.
São personagens diferentes, em produções com propostas distintas, que ajudam a demonstrar sua versatilidade. Sérgio também vem investindo na carreira de diretor. Escreveu e dirigiu o curta-metragem “Única Saída”, trabalho que lhe rendeu o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cinema de Vassouras, em 2023.
Ou seja, não estamos falando apenas de um ex-ator mirim que cresceu e precisa encontrar seu lugar no mercado. Sérgio já encontrou esse lugar. E vem ampliando suas possibilidades profissionais. É justamente por isso que sua presença mais frequente nas novelas faria tanto sentido.
Em 2024, o ator chegou a ser anunciado no elenco de “Família É Tudo”, de Daniel Ortiz, mas acabou deixando a produção antes de começar a gravar. Na ocasião, não houve acordo financeiro entre ele e a Globo. Sérgio interpretaria Ernesto, empresário que se aproximaria de Andrômeda (Ramille). O episódio mostrou que havia interesse em seu retorno, embora a negociação não tenha avançado.
Em um momento em que a televisão aposta cada vez mais na nostalgia, recupera personagens conhecidos e revisita histórias de sucesso, seria interessante também olhar para os atores que ajudaram a construir a memória afetiva do público e que hoje estão em plena maturidade artística.
Sérgio Malheiros se encaixa perfeitamente nesse perfil. Tem experiência, carisma, reconhecimento e ainda uma longa carreira pela frente. Poderia ser protagonista de uma novela das sete, integrar um núcleo importante de uma trama das nove ou surpreender em um papel completamente diferente daqueles que já interpretou.
Não precisa ser escalado apenas porque foi o Raí de “Da Cor do Pecado”. Pelo contrário. A lembrança daquele menino é um atrativo a mais, mas o que realmente importa é o ator que ele se tornou.
Talvez o maior mérito de Sérgio seja justamente ter conseguido algo que nem todos os artistas revelados na infância alcançam: construir uma identidade profissional que não depende exclusivamente do sucesso do passado.
O streaming já percebeu isso. A televisão aberta também poderia aproveitar melhor. Porque é muito bom rever o menino que conquistou o Brasil em 2004. Mas seria ainda melhor vê-lo ocupando, com a importância que merece, o espaço de protagonista que tem condições de assumir hoje.
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