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Henry Borel: psiquiatra diz em júri que Jairinho sentia “prazer em causar dor em crianças”

O terceiro dia do julgamento pela morte de Henry Borel foi marcado por embate entre acusação e defesa após advogado de Jairinho rebater depoimento

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          O terceiro dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros, acusados pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, foi marcado por declarações fortes no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Nesta quarta-feira (27/5), o psiquiatra Rafael Bernardon afirmou ter identificado, em sua análise do processo, um comportamento que indicaria satisfação de Jairinho ao provocar sofrimento em crianças.

          Convocado pela acusação, o especialista declarou que percebeu um suposto padrão de violência infantil associado ao ex-vereador. Segundo Bernardon, a conclusão foi construída a partir da análise dos autos e das informações reunidas durante a investigação. “Há um padrão de abuso infantil por parte do réu, um padrão de prazer em infligir dor em crianças”, afirmou o psiquiatra durante o depoimento.

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          Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo
          Dr. Jairinho, também réu no processo, é acusado de matar o enteadoFoto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo
          Crédito: Renan Olaz - Câmara Municipal do Rio de Janeiro
          Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. JairinhoCrédito: Renan Olaz - Câmara Municipal do Rio de Janeiro
          Crédito: Gabriel de Paiva/Agência O Globo
          Monique Medeiros em julgamentoCrédito: Gabriel de Paiva/Agência O Globo
          Imagem: Brunno Dantas/TJRJ/Divulgação
          Monique MedeirosImagem: Brunno Dantas/TJRJ/Divulgação
          Reprodução: Instagram/@lenielborel
          Leniel Borel, pai de Henry Borel, é engenheiro e políticoReprodução: Instagram/@lenielborel

          O especialista também reforçou uma avaliação anexada anteriormente ao processo, na qual descreve Jairinho como alguém com perfil “egocêntrico, narcisista e sádico”. Durante a audiência, Bernardon explicou que a interpretação foi baseada nos elementos analisados ao longo do caso. “Embora seja uma análise subjetiva minha, eu tive essa percepção e interpretação”, declarou.

          As falas provocaram reação imediata da defesa do ex-vereador. Em determinado momento, Jairinho interrompeu o depoimento para afirmar que a declaração do psiquiatra representava apenas uma interpretação pessoal.

          O advogado Rodrigo Faucz, que integra a defesa do ex-parlamentar, criticou duramente a participação do especialista no julgamento e questionou a validade do depoimento. Em declaração enviada ao portal LeoDias, o defensor afirmou que o psiquiatra não poderia emitir avaliações sobre uma pessoa que nunca entrevistou diretamente: “É um absurdo a oitiva de um médico psiquiatra que, por conta das diretrizes éticas médicas, não poderia sequer se manifestar sobre pessoas que não foram entrevistadas”, declarou.

          O advogado também alegou que Bernardon não presenciou os fatos investigados e foi contratado exclusivamente pela acusação para sustentar a tese apresentada pelo Ministério Público. Ainda segundo a defesa, a magistrada responsável pelo caso já teria considerado anteriormente o depoimento irrelevante: “A própria juíza proibiu, na audiência em primeira fase, que ele fosse ouvido, por considerar irrelevante a opinião de uma pessoa alheia e paga para confirmar a versão acusatória”, completou o advogado.

          O julgamento acontece no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Fórum Central do Rio de Janeiro, e já entrou no terceiro dia de sessões. Ao longo da audiência desta quarta-feira, ainda estavam previstos os depoimentos do perito Luís Carlos Leal Prestes e da médica Maria Cristina de Souza Azevedo. Ao todo, 27 testemunhas devem ser ouvidas durante o julgamento, que tem previsão de seguir até o fim da semana.

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