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Suzane von Richthofen fala sobre assassinato dos pais e revela por que crime foi planejado

O longa-metragem inédito com Suzane von Richthofen ainda não tem data oficial para lançamento e só foi disponiblizado pela plataforma de streaming numa pré-estreia restrita

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          Após 24 anos do assassinato dos pais, Suzane von Richthofen voltou a falar publicamente sobre o caso que marcou o país. Em um documentário inédito, ainda sem data oficial de estreia, ela revisita o crime pelo qual foi condenada e apresenta sua própria versão dos acontecimentos, incluindo os motivos que, segundo ela, levaram ao planejamento do duplo homicídio. As informações são do jornalista Ullisses Campbell, da coluna True Crime, do O Globo.

          Com cerca de duas horas de duração e exibido inicialmente em uma prévia restrita, o filme traz depoimentos da própria Suzane, hoje com 42 anos, que cumpre pena em regime aberto. Ao longo da produção, ela reconstrói sua trajetória desde a infância e descreve o ambiente familiar como frio e distante, apontando a ausência de afeto como um dos fatores centrais em sua história.

          Veja as fotos

          Foto: Reprodução
          Suzane von Richthofen em documentário na NetflixFoto: Reprodução
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          Suzane von Richthofen em documentário na NetflixFoto: Reprodução
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          Suzane von Richthofen em documentário na NetflixReprodução/Netflix
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          Suzane von Richthofen em documentário na NetflixFoto: Reprodução
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          Suzane von Richthofen em documentário na NetflixFoto: Reprodução

          “Eu vivia estudando. Era só nota alta. Tirava 9 e 10 em todas as matérias. Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles. Minha vida era brincar com o meu irmão”, afirmou. Sobre o pai, foi ainda mais incisiva: “Meu pai era zero afeto. Minha mãe ainda tinha um pouco. Volta e meia ela pegava a gente no colo. Mas era muito de vez em quando”.

          Segundo Suzane, o relacionamento entre os pais era conturbado e marcado por conflitos frequentes. “O relacionamento dos meus pais era muito ruim”, disse. Ela também relata um episódio de violência presenciado ainda na infância. “Eu era criança. Meus pais botavam a gente pra dormir muito cedo. Ouvi uma discussão e desci pra ver o que era. Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível”, recordou.

          A falta de diálogo dentro de casa, inclusive sobre temas íntimos, também é destacada no documentário. “Eu nunca conversei sobre sexo com a minha mãe. Nenhuma vez. Zero”, contou. Com o passar dos anos, ela afirma que o distanciamento aumentou: “Eu e meu irmão fomos ficando invisíveis dentro de casa”. Nesse contexto, diz ter criado com o irmão um universo próprio, afastado dos pais: “Era um refúgio nosso dentro de casa”.

          Em outro momento, Suzane resume a dinâmica familiar ao afirmar: “Minha família não era família Doriana. Longe disso. Meus pais construíram um abismo entre nós”. Ela acrescenta que “esse espaço vazio foi ocupado pelo Daniel”, referindo-se ao relacionamento com Daniel Cravinhos, também condenado pelo crime.

          Namoro intensificou conflitos familiares

          De acordo com seu relato, o namoro intensificou os conflitos domésticos. “O Daniel passou a ocupar todos os espaços da minha vida”, afirmou. A relação era reprovada pela família, especialmente pela mãe. “Ela falava que ele ia me puxar para o fundo do poço”, disse.

          A partir daí, Suzane descreve uma rotina de mentiras e confrontos constantes. “Eu saía de casa dizendo que ia pro karatê, mas ia pra casa do Daniel”, contou. “Escondida dos meus pais, conheci todo o litoral de São Paulo. A gente alugava carro e seguia viagem. O Daniel me mostrou o mundo que eu queria viver”. Quando as mentiras vieram à tona, o ambiente familiar se deteriorou ainda mais. “Virou uma guerra dentro de casa. Qualquer coisa era briga”, relatou. Ela também menciona agressão física por parte do pai: “Ele me deu um tapão na cara tão forte que meu rosto virou pro lado”.

          Um dos momentos decisivos, segundo Suzane, ocorreu durante uma viagem dos pais à Europa. Na ausência deles, Daniel passou a viver na casa da família. “Foi um mês de liberdade total. Um sonho que eu não queria que acabasse. Era o dia inteiro de sexo, drogas e rock ’n’ roll”, relembrou. “Aquele mês mudou tudo na nossa vida”, afirmou.

          Planejamento do crime

          Ainda conforme seu depoimento, a ideia do crime não surgiu de forma repentina, mas foi sendo construída gradualmente. “Nós não falávamos em matar meus pais. A gente dizia que seria muito bom se eles não existissem”, explicou.

          O assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen ocorreu em 31 de outubro de 2002, executado pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos. Suzane reconhece sua participação, embora tente delimitar seu papel. “Eu não construí a arma do crime. Não tenho nada a ver com isso”, disse. Em outro momento, admite: “Eu aceitei. Eu os levei pra dentro da minha casa”. E conclui: “A culpa é minha. Claro que é minha”.

          Sobre a noite do crime, ela afirma que permaneceu no andar inferior da residência. “Eu fiquei no sofá, com a mão no ouvido para não escutar nada”, contou, acrescentando que tinha plena consciência do que acontecia: “Eu sabia”. Ela descreve seu estado emocional como “dissociado” e compara: “Eu não estava em mim. Era como um robô, sem sentimento”.

          Apesar disso, reconhece que poderia ter evitado o desfecho. “Se eu parasse pra pensar, aquilo não aconteceria. (…) Quando tudo terminou, o impacto veio de forma imediata. Não tinha mais como voltar atrás. O que eu fiz não tem mais volta”, afirmou.

          O documentário também traz questionamentos pontuais. A delegada Cíntia Tucunduva relata que, dias após o crime, Suzane foi encontrada em uma confraternização na casa da família. Segundo a policial, ela teria apresentado o local como se fosse um cenário de crime. Suzane nega essa versão. “Não tinha a menor condição de fazer uma festa naquela casa. A casa estava com cheiro de sangue”, rebateu.

          O documentário

          Intitulada provisoriamente de “Suzane vai falar”, a produção tem gerado repercussão entre interessados em casos de true crime. Trechos da entrevista já circulam nas redes sociais, mostrando diferentes momentos da vida atual da condenada.

          O filme também expõe sua rotina fora da prisão, incluindo o relacionamento com o médico Felipe Zecchini Muniz, com quem se casou após um contato inicial pelas redes sociais. A produção mostra ainda cenas familiares, com a presença das filhas dele e do filho pequeno do casal, evidenciando a tentativa de reconstrução de sua vida.

          Nova Suzane

          Na parte final, Suzane afirma que não se reconhece mais como a pessoa envolvida no crime. “Aquela Suzane ficou lá no passado. A sensação que eu tenho é que ela morreu junto com os meus pais”, declarou. Ela diz ter passado por uma transformação ao longo dos anos e se define hoje como “uma outra pessoa”.

          Ao abordar religião, afirma enxergar no filho um sinal de perdão. “Quando eu olho para o meu filho, eu tenho a certeza de que Deus me perdoou”, disse.

          Apesar disso, admite que o passado continua presente em sua rotina. “Você entra num lugar e parece que o ar para. Todo mundo olha. ‘Olha, a Suzane’”, relatou. Segundo ela, o reconhecimento é frequente, até em situações cotidianas. “Quantas fotos minhas, às vezes, no supermercado… a pessoa tirando foto”, concluiu.

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