Tia de bebê vítima de tentativa de sequestro lamenta soltura de enfermeira: “A Justiça foi essa”
Para Daniela Beatriz, tia da bebê, o principal temor agora é a vulnerabilidade da família. Segundo ela, Auricélia conhece o endereço onde a mãe da recém-nascida vive com a criança, o que aumenta a preocupação após a investigada deixar a prisão
Daniela Beatriz, tia da recém-nascida vítima de tentativa de sequestro na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, no Piauí, reagiu à decisão que colocou a enfermeira Auricélia de Sousa Rocha em prisão domiciliar. Em um desabafo publicado nas redes sociais, ela questionou a segurança da família após a técnica de enfermagem deixar a prisão e lamentou a decisão judicial.
Auricélia teve a prisão preventiva substituída por prisão domiciliar humanitária pelo Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI). A decisão considerou a necessidade de tratamento psiquiátrico especializado, conforme informou a defesa. O advogado Tiago Carvalho Moreira afirma que a técnica foi diagnosticada com transtornos mentais.
A decisão, no entanto, provocou indignação em Daniela. A tia da bebê afirmou que a soltura não era o que a família desejava, embora já fosse um desfecho esperado diante do andamento do caso. “Gente, como eu coloquei aí, a mulher foi solta. A pessoa que estava presa foi solta. Não era o que a família queria, mas era o que era o que a família, eu e muita gente já esperávamos, né? Muita gente já esperava que o desfecho seria esse.”
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Para Daniela, o principal temor agora é a vulnerabilidade da família. Segundo ela, Auricélia conhece o endereço onde a mãe da recém-nascida vive com a criança, o que aumenta a preocupação após a investigada deixar a prisão.
“Até porque não tem justiça, né? A Justiça foi essa daí: ela foi solta e está aí na sociedade. E aí, como é que a família fica? Ela sabe o endereço, sabe onde a mãe da criança mora com a criança. A família fica vulnerável a toda essa situação.”
No relato, Daniela também demonstrou preocupação com a possibilidade de Auricélia voltar a trabalhar. A familiar questionou quais serão as condições da família daqui para frente e cobrou uma atuação do Ministério Público diante da situação.
“E ela vai trabalhar de novo, porque provavelmente vai continuar trabalhando. O Ministério Público, que era para estar do lado da família, numa situação dessa, como é que a família vai ficar agora? Como é que a família vai ficar? Como é que a mãe da criança vai ficar? E eu, como tia da criança, como vou ficar diante de toda essa situação?”
A indignação aumenta quando Daniela relembra que, apesar da gravidade do episódio, a investigada poderá seguir a vida fora da prisão enquanto os familiares continuam convivendo com o medo e as consequências do que aconteceu.
“Como é, gente? Diante de uma situação toda dessa, essa mulher faz tudo isso e foi solta, vai continuar vivendo aí normalmente. Quem foi que se abalou com tudo isso? A família.”
Coren suspenso
Em decisão publicada na última quarta-feira (29/7) no Diário Oficial da União, o Conselho Reginal de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) determinou a suspensão imediata da enfermeira. A medida tem caráter preventivo e valerá até a conclusão do processo ético aberto contra a profissional, sendo assim ela está impedida de exercer a profissão.
Segundo o Coren-PI, Auricélia teria usado sua função para facilitar a suposta retirada da criança das dependências da maternidade. Para o conselho, a manutenção das atividades da profissional poderia representar riscos aos usuários dos serviços de saúde e à coletividade.
Além do afastamento, o conselho instaurou um processo no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) para apurar possíveis infranções ao Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. A investigação vai analisar se a conduta da técnica violou normas e deveres da profissão.
Relembre o caso
O caso ocorreu em 6 de julho, dentro da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa. Segundo a investigação, Auricélia teria abordado Daniela e se oferecido para levar a recém-nascida para a realização dos testes da orelhinha e do pezinho.
As câmeras de segurança registraram a técnica entrando em uma sala com a criança. Poucos minutos depois, ela deixou o ambiente sem a bebê e carregando uma bolsa preta grande. Em seguida, entrou em um banheiro.
Daniela percebeu a movimentação e interceptou Auricélia. Ao puxar a bolsa, encontrou a sobrinha dentro dela. As imagens também mostram que a técnica havia trocado de roupa e soltado os cabelos durante o período em que permaneceu na maternidade.
A ação da tia impediu que a recém-nascida fosse retirada da unidade de saúde.
Após o episódio, Daniela denunciou o caso publicamente e passou a cobrar providências. A tia da bebê chegou a ser indiciada por calúnia e difamação qualificada contra uma profissional da maternidade após fazer denúncias relacionadas ao atendimento recebido no momento do crime.
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