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Defesa de Bolsonaro tenta refazer condenação e unificar tipificações penais

O recurso da defesa de Jair Bolsonaro aponta cerceamento de defesa, questiona a delação de Mauro Cid e pede reanálise de eventuais erros na dosimetria das penas

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          A equipe jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou embargos de declaração ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reexaminar a decisão que o condenou pelos eventos de 8 de janeiro de 2023. No pedido, os advogados afirmam que houve restrição ao direito de defesa, questionam a credibilidade da colaboração de Mauro Cid e alegam equívocos na dosimetria das penas.

          Segundo a defesa, o processo teria avançado sem tempo hábil para analisar o conjunto de provas, descrito como superior a 70 terabytes. Requerimentos para adiar atos processuais teriam sido negados pelo relator, ministro Alexandre de Moraes, o que, de acordo com os embargantes, comprometeu a paridade de armas.

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          Crédito: Antonio Augusto - STF
          Jair Messias BolsonaroCrédito: Antonio Augusto - STF
          Reprodução: Metrópoles
          Bolsonaro registra presença no jardim de casa no quinto dia do julgamento no STFReprodução: Metrópoles
          Foto: Alan Santos
          Jair Bolsonaro e Mauro CidFoto: Alan Santos
           Foto: Ton Molina/STF
          O ex-presidente Jair Bolsonaro Foto: Ton Molina/STF
          Foto: Rosinei Coutinho/STF
          Alexandre de Moraes e Flávio Dino, ministros do STFFoto: Rosinei Coutinho/STF

          Os advogados argumentam que a delação do tenente-coronel Mauro Cid foi obtida sob pressão e apresenta contradições, motivo pelo qual não poderia servir como principal suporte probatório da condenação. Em sua manifestação, apontam como frágil o encadeamento de mensagens e áudios usado para atribuir conhecimento dos fatos a Bolsonaro.

          Outro ponto do recurso requer o reconhecimento do chamado princípio da consunção. Para a defesa, o crime de abolição violenta do Estado Democrático de Direito deve ser absorvido pelo de golpe de Estado, por derivarem do mesmo contexto fático, o que impediria punição em duplicidade.

          Os embargos também apontam omissões e inconsistências no acórdão e solicitam correções na pena aplicada ao ex-presidente, condenado a 27 anos e 3 meses. Por regra, embargos de declaração servem para esclarecer trechos obscuros, corrigir contradições ou sanar omissões, não sendo comuns para reverter condenações, embora possam abrir margem para novos questionamentos.

          O protocolo ocorreu no limite do prazo de cinco dias após a publicação do acórdão. Caberá aos ministros da Primeira Turma analisar se acolhem ou não os pontos levantados pela defesa. Caso sejam rejeitados, ainda é possível a apresentação de novo embargo do mesmo tipo antes do eventual trânsito em julgado.

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