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Lula reage com espanto à tragédia no Rio, segundo ministro da Justiça

Após a operação mais sangrenta da história fluminense, o presidente foi informado do caso ao retornar da Ásia e cobrou explicações

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          O governo federal reagiu com preocupação e indignação à megaoperação policial realizada nesta terça-feira (28/10) nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. A ação, que tinha como alvo integrantes da facção Comando Vermelho (CV), deixou mais de 120 mortos, segundo dados oficiais do governo estadual, se tornando a mais letal já registrada no Rio.

          Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou “estarrecido” com a quantidade de vítimas e “surpreso” com o fato de uma operação dessa magnitude ter ocorrido sem o conhecimento prévio do governo federal. Lula soube da ofensiva apenas ao desembarcar em Brasília, após viagem oficial à Ásia.

          Veja as fotos

          Foto: Nelson Jr/STF
          Ministro da Justiça, Ricardo LewandowskiFoto: Nelson Jr/STF
          Reprodução: YouTube/Ministério da Justiça e Segurança Pública
          Ricardo Lewandowski sobre operação no Rio de Janeiro: "Não recebi nenhum pedido"Reprodução: YouTube/Ministério da Justiça e Segurança Pública
          Divulgação: YouTube/Canal Gov
          Lula na MalásiaDivulgação: YouTube/Canal Gov
          Foto:  José Lucena/TheNews2/Estadão Conteúdo
          Megaoperação foi deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de JaneiroFoto: José Lucena/TheNews2/Estadão Conteúdo
          Reprodução: Globo
          Jovem relata à reportagem da Globo no Rio o desespero para chegar em casa em meio ao caos da operação policial contra facção criminosaReprodução: Globo

          Na manhã desta quarta (29/10), o presidente se reuniu com ministros no Palácio da Alvorada para discutir os desdobramentos da operação e as ações de resposta do governo. Entre os presentes estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Rui Costa da Casa Civil; Macaé Evaristo de Direitos Humanos; Anielle Franco da Igualdade Racial; e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Após o encontro, Lewandowski anunciou que uma comitiva de ministros seguirá ao Rio de Janeiro ainda hoje para se reunir com o governador Cláudio Castro (PL/RJ).

          Durante entrevista coletiva, Lewandowski descreveu a ação como “extremamente cruenta e violenta” e defendeu que o episódio mostra a necessidade de rever a política de segurança pública no país. Segundo ele, a PEC da Segurança Pública, em debate no Congresso, pretende justamente reforçar a cooperação entre União e estados, para evitar operações conduzidas de forma isolada e sem planejamento integrado.

          Questionado sobre a possibilidade de uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), medida que autoriza o uso das Forças Armadas em situações de crise, o ministro explicou que essa decisão não foi cogitada na reunião e que o pedido deve partir formalmente do governo estadual.

          O diretor da PF, Andrei Rodrigues, confirmou que a corporação foi informada apenas por canais locais sobre a intenção da Polícia Militar de realizar uma “grande operação” no Rio, mas optou por não participar, considerando o plano “incompatível com os protocolos da PF”.

          A tragédia reacendeu o debate sobre o papel do governo federal na segurança pública e expôs a tensão entre Brasília e o Palácio Guanabara. Até o momento, o presidente não se pronunciou publicamente.

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