Clínica se pronuncia após paciente afirmar que perdeu movimentos após procedimento malsucedido
A clínica negou que a jovem tenha feito o procedimento na L’Essence
A técnica de enfermagem e estudante de psicologia, Bruna Conceição dos Santos, de 25 anos, moradora de Samambaia Sul, no Distrito Federal, teve a rotina completamente mudada após ficar sem andar devido a um procedimento que fez para endometriose para tratar fortes dores que sentia, segundo seu relato. O procedimento malsucedido foi realizado na Clínica L’Essence, na Asa Sul, em Brasília, e a empresa se manifestou por meio de nota ao portal LeoDias.
A clínica negou que a jovem tenha feito o procedimento na L’Essence, destacaram que fazem procedimento de baixa complexidade e que não possuem envolvimento com o fato narrado por ela. Também destacaram que não foram notificados judicialmente.
Veja as fotos
“Em atenção às solicitações de jornalistas sobre o caso recentemente divulgado pela imprensa, a Clínica L’Essence Cuidados ao Paciente com Dor informa o que segue:
1. Os procedimentos mencionados na reportagem não foram realizados nas dependências da Clínica L’Essence. Ambos ocorreram em ambiente hospitalar — o primeiro no Hospital Alvorada Brasília e o segundo no Hospital Brasília Lago Sul, instituições que possuem infraestrutura própria, equipe assistencial e responsabilidade direta pelos atos médicos executados em suas dependências.
2. A Clínica L’Essence realiza atendimentos médicos especializados e procedimentos minimamente invasivos de baixa complexidade, seguindo rigorosamente as normas de segurança e ética do Conselho Federal de Medicina (CFM). Nos casos de neurólises ou procedimentos de maior complexidade, é rotina da equipe encaminhar e realizar tais intervenções exclusivamente em ambiente hospitalar, justamente para assegurar os mais altos padrões de segurança e cuidado ao paciente.
3. A clínica não possui qualquer envolvimento direto com o evento clínico mencionado, limitando-se ao acompanhamento ambulatorial da paciente antes do encaminhamento hospitalar. Por respeito à confidencialidade médica e em conformidade com a legislação vigente, não serão fornecidas informações sobre prontuários ou detalhes assistenciais.
4. A Clínica L’Essence informa ainda que não foi notificada de qualquer demanda judicial ou administrativa relacionada ao referido caso. Caso venha a ser formalmente comunicada e tenha acesso ao conteúdo da denúncia, apresentará sua defesa de forma técnica e responsável, confiando no devido processo legal e na apuração isenta dos fatos.
5. A L’Essence reitera seu compromisso com a ética, a ciência e o cuidado humanizado, e permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários. O objetivo deste posicionamento é evitar a divulgação de informações incorretas ou imprecisas que associem indevidamente a clínica ao caso citado.”
Como o procedimento é realizado?
Segundo o relato de Bruna para este veículo, foi o Dr. Lucas da Silva França que a atendeu na clínica e foi indicado o implante de um neuroestimulador sacral, que exigia alguns procedimentos prévios. A técnica de enfermagem contou que escolheu a clínica por ser considerada referência na área em Brasília.
“Marquei, fui toda feliz… [o médico] nos tratou muito bem, educado. Logo de cara nos mostrou o neuroestimulador e nos explicou como seria a cirurgia, que era com duas etapas. Ele falou que ela precisava fazer bloqueio venoso e, se na terceira sessão der certo, nós fazemos o implante… foi até a décima e não tinha passado a dor. Saí chorando de desgosto, triste, raiva, porque eu queria acabar com essa dor”, relatou.
Segundo a jovem, após a sequência de sessões, o médico decidiu aplicar fenol para bloquear o nervo responsável pela dor: “Que vai queimar os nervos que faz com que a dor vai pro cérebro. Meu marido ficou desconfiado. Nem na internet tinha matérias falando, meu esposo pesquisou. Por mais que as pessoas ficassem falando que fomos leigos, não tinha o que falar de pesquisar e fizemos.”
O marido de Bruna, Maxwell, que também conversou com esta reportagem, contou que o casal não foi alertado sobre os riscos da substância.
“O médico não trouxe pra mim analisar… falou que não teria risco nenhum… recentemente eu descobri que o procedimento do fenol deveria usar de 3 a 5 % e ele [o médico] usou 15 de fenol.”
Anvisa proíbe uso de fenol após caso de Bruna
Um mês após o procedimento malsucedido de Bruna, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a resolução nº 2.384/24, proibindo o uso de fenol em procedimentos médicos e estéticos devido à alta periculosidade da substância.
Segundo o marido da paciente, o ginecologista ainda não conseguiu um diagnóstico conclusivo, mas suspeita de adenomiose. Antes, a maior dor de Bruna era a pélvica crônica causada pela endometriose. Agora, ela convive com as sequelas do procedimento malsucedido, que resultaram em neuropatia neurocral e radiculopatia lombar com paraparesia dos membros inferiores.
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