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Dia da Conscientização do Autismo: especialista alerta sobre desafio da adolescência no espectro

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado nesta quinta-feira (2/4), tem o objetivo de reduzir preconceitos e promover a inclusão de pessoas autistas

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          Por muito tempo, o debate sobre autismo esteve concentrado em casos de diagnóstico ainda na infância. A intervenção precoce e a inclusão escolar passaram a ocupar o centro das pesquisas científicas, da formação profissional, da atenção familiar e das políticas públicas. Porém, como garantir a continuidade da inclusão e o apoio as crianças que convivem com o transtorno quando elas crescem?

          Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), cerca de 2,4 milhões de pessoas autistas já foram identificadas no Brasil. Desta parte, uma cada vez maior delas está chegando à adolescência e à vida adulta. Apesar disso, ainda existe escassez de profissionais preparados para lidar com temas como autonomia, relações sociais, saúde mental, transição escolar, sexualidade, planejamento de futuro e inserção profissional.

          Veja as fotos

          Reprodução: Freepik
          Transtornos do espectro autistaReprodução: Freepik
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          Transtornos do espectro autistaReprodução: Freepik
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          Transtornos do espectro autistaReprodução: Freepik
          Autismo - Foto: Reprodução/Freepik
          Autismo - Foto: Reprodução/Freepik
          Reprodução: Freepik
          Transtornos do espectro autistaReprodução: Freepik

          Para entender melhor sobre a condição, o portal LeoDias entrevistou a especialista em desenvolvimento infantil e autismo, Mayra Gaiato. Ela também é psicóloga, neurocientista e mestre em Análise do Comportamento Aplicada (ABA).

          “A área avançou muito quando o assunto é diagnóstico e intervenção precoce. Isso transformou positivamente a vida de muitas crianças e famílias. Mas essas crianças cresceram e o sistema ainda não acompanhou essa mudança”, afirmou a profissional.

          A especialista ressaltou que o autismo não pode ser tratado como uma condição exclusivamente infantil. “Muitos profissionais foram formados para trabalhar apenas com crianças pequenas. Quando o autista chega à adolescência, surgem novas demandas: autonomia, relações sociais mais complexas, identidade, escolhas acadêmicas e profissionais. Existe um vazio de formação, de olhar apurado e de assistência nesse momento”, explicou.

          Gaiato destacou que quando a criança cresce, o desenvolvimento abre espaço para novos questionamentos. “As famílias também se vêem, muitas vezes, sem referências. Quando a criança cresce, mudam as perguntas, mudam os desafios e muitas vezes faltam orientações para lidar com essa nova fase da vida.”

          A gravidade do cenário, inclusive, motivou a criação de uma nova pós-graduação voltada especificamente ao autismo na adolescência e vida adulta, iniciativa que busca ampliar a formação de profissionais para lidar com essa etapa do desenvolvimento.

          “Não estamos falando apenas de profissionais de saúde. Famílias, escolas, universidades, empresas e instituições públicas precisam aprender a lidar com adolescentes e adultos autistas. Esse é um desafio coletivo. De todos nós”, pontuou.

          “Quando o autismo é tratado apenas como um tema da infância, acabamos apagando a existência de milhões de jovens e adultos. Essas pessoas continuam precisando de apoio para estudar, trabalhar, construir relações e participar da sociedade. O diagnóstico não termina na infância! O autismo acompanha a pessoa ao longo de toda a vida. Precisamos preparar profissionais, famílias e instituições para essa realidade”, completou Gaiato.

          O Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado nesta quinta-feira (2/4), foi criado pela ONU em 2007 para informar a população sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O objetivo é reduzir preconceitos e promover a inclusão de pessoas autistas, destacando seus direitos, talentos e a importância de terapias adequadas.

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