Campeão do mundo em 94 e FPF são denunciados por irregularidades em contrato com a Petrobras
Ministério Público apura suposto uso irregular de recursos públicos em patrocínio de R$ 7 milhões firmado entre a Petrobras e Mauro Silva, atual vice-presidente da Federação Paulista de Futebol
O tetracampeão mundial Mauro Silva, atual vice-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), é um dos investigados em processo aberto pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) que apura possíveis irregularidades em um contrato de patrocínio de R$ 7 milhões firmado entre a Petrobras e a entidade. O caso, que corre sob segredo de Justiça, tem como relator o ministro Jorge Oliveira. Outro que também é citado nominalmente na denúncia é Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF.
Segundo apurado pelo portal LeoDias, a investigação teve origem em uma denúncia protocolada em 22 de outubro de 2025 pelo advogado Joel dos Passos Mello, membro do Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo, órgão independete da própria FPF. O documento aponta que a Petrobras pode ter sido induzida ao erro ao firmar o contrato, supostamente em desacordo com a Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), que regula o repasse de recursos públicos a entidades esportivas.
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O presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, e o vice-presidente Fernando Solleiro, também estão envolvidos. Ambos sustenta uma alteração estatutária feita em janeiro de 2025, permitindo três reconduções consecutivas ao cargo de presidente, tornou a entidade inelegível para receber recursos federais.
A mudança teria sido aprovada sem transparência e sem divulgação da ata da assembleia, o que pode caracterizar omissão dolosa dos dirigentes.
“Há fortes indícios de que a Petrobras não tinha conhecimento de graves ilegalidades praticadas pela atual gestão da FPF, refletindo diretamente no convênio firmado e nos repasses realizados”, diz a denúncia.
O Ministério Público de Contas pede ao TCU a suspensão imediata do contrato, o afastamento cautelar dos dirigentes e uma auditoria completa sobre os repasses já realizados. O objetivo é verificar se houve violação à Lei Geral do Esporte e eventuais danos ao erário.
A parceria entre a Petrobras e a FPF teve início em 2024, com um contrato de R$ 6 milhões, voltado ao Paulistão Feminino, Copinha Feminina e Copa Paulista. Em maio de 2025, o convênio foi renovado e ampliado para R$ 7 milhões, com validade até maio de 2026.
A reportagem do portal LeoDias entrou em contato com a Federação Paulista de Futebol (FPF), a Petrobras, em busca de posicionamento sobre o caso. O Tribunal de Contas da União (TCU), ainda não enviou um posicionamento.
Federação Paulista de Futebol
“A Federação Paulista de Futebol informa que é parceira da Petrobras desde 2024, com projetos específicos voltados ao futebol feminino. O contrato de patrocínio que formaliza essa parceria passou por criteriosa análise antes de ser firmado, em total conformidade com as normas de compliance de ambas as instituições.
É curioso que tal denúncia infundada venha a público em um momento pré-eleitoral da FPF, em que pessoas associadas a um passado lamentável do futebol brasileiro tentam, sem sucesso, angariar votos.
A FPF reafirma que atua com transparência e respeito à legislação, e que comprovará, quando citada, a improcedência da denúncia no curso das investigações.”
Petrobras
A Petrobras, disse que o patrocínio ao desenvolvimento do futebol feminino paulista “observou todas as regras de governança e conformidade da companhia na ocasião de sua assinatura”.
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