Heróis esquecidos: por que os campeões de 1985 só foram premiados 40 anos depois
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) corrigiu o erro e premiou os jogadores campeões pelo Coritiba, nesta semana
Em 31 de julho de 1985, o Campeonato Brasileiro daquele ano chegava ao fim: o Coritiba venceu o Bangu nos pênaltis após o empate em 1 a 1 no tempo normal e se sagrou campeão, no Maracanã. Ao final da partida, no entanto, os atletas do clube paranaense não receberam medalhas, como manda a tradição nos esportes. Isso porque aquele dia foi também apenas o início de uma longa história.
As medalhas sumiram, sem deixar nenhuma pista para trás. Por décadas, o elenco histórico do Alviverde cobrou explicações. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), responsável pela premiação, não sabia qual era o paradeiro dos itens. O único fato é que elas haviam desaparecido antes de chegar às mãos dos premiados.
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“Ninguém ousa afirmar o que, de fato, ocorreu naquela noite e as versões desde então se multiplicaram”, reforça o site da entidade.
A “Batalha das Medalhas” chegou ao fim nesta semana, quando a CBF convidou para sua sede o elenco campeão brasileiro de 1985 pelo Coritiba, além de representantes da diretoria do clube. O motivo? A instituição decidiu reparar o erro que assombrou os jogadores por mais de quatro décadas com a confecção de 40 medalhas idênticas às que deveriam ter sido entregues naquele ano.
O presidente da CBF, Samir Xaud, celebrou a reparação. Ele recebeu cinco jogadores daquele elenco: Dida, Rafael Cammarota, André, Índio e Elizeu, além do CEO do clube, Lucas de Paula. “O que vimos hoje foi de extrema importância para os jogadores, para o clube, para o Estado, para a Federação Paranaense”, disse o cartola.
“Foram 40 anos de um vazio muito grande para os atletas que lutaram, trabalharam, brigaram para ser campeões brasileiros e que na hora da recompensa ficaram de mãos vazias. Neste momento, também quero estender o nosso abraço aos familiares daqueles campeões de 1985 que já não estão entre nós”, continuou Xaud.
As condecorações de Branco, campeão pelo Fluminense em 1984, e Júnior, campeão pelo Flamengo, em 1983, foram utilizadas como base. O item conta com o escudo da época da CBF, além das três estrelas acima, em referência ao tricampeonato mundial da Seleção, àquela altura. Alguns dos jogadores se emocionaram ao receber a medalha, e agradeceram a reparação.
“Eu briguei 39 anos por isso, fui chamado de um monte de coisa, mas a luz divina ninguém toma. Porque durante esses anos todos eu cobrei essa medalha. Aos 72 anos, nunca pensei que ia ver essa medalha na nossa mão. É um sentimento de orgulho de tudo aquilo que eu fiz e hoje ela está na minha mão. Aqueles que diziam em Curitiba que era mentira, está aqui”, celebrou Cammarota, ex-goleiro do Coritiba.
As medalhas dos atletas já falecidos serão entregues à família. Aqueles que não puderam comparecer à cerimônia, as receberão em suas residências.
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