Pastor Márcio Poncio é preso pela PF em operação que investiga suposta lavagem de dinheiro
Investigação apura suposta ligação do líder religioso Márcio Poncio com um esquema de lavagem de dinheiro ligado à "Máfia do Cigarro"
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2/7), a 5ª fase da Operação Unha e Carne e cumpriu um mandado de prisão contra o pastor Márcio Poncio, conhecido por ser pai do cantor Saulo Poncio e da deputada estadual Sarah Poncio. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à atual cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro.
Além de Poncio, também foram alvos de mandados de prisão o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Ambos já estavam presos. Bacellar, inclusive, deverá ser transferido do Complexo Penitenciário de Gericinó para uma unidade prisional federal.
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A ordem judicial foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também autorizou o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 22 milhões.
De acordo com a PF, esta nova etapa da operação busca aprofundar a investigação sobre indícios de lavagem de dinheiro supostamente praticada por Adilsinho, apontado pelos investigadores como uma das principais lideranças do jogo do bicho no estado. A apuração também tenta identificar possíveis ligações do esquema com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo fluminenses.
Segundo informações obtidas pelo portal G1, Márcio Poncio é investigado por uma suposta ligação com o grupo conhecido como “Máfia do Cigarro”, organização que estaria vinculada ao esquema investigado. Até o momento, a operação apura suspeitas, e não há nenhuma condenação relacionada a esse caso.
As investigações que resultaram na quinta fase da Operação Unha e Carne tiveram origem na Operação Fumus, realizada em 2021 para combater um suposto monopólio do comércio de cigarros na Região Metropolitana do Rio. Na ocasião, a PF apreendeu planilhas que continham registros de supostos pagamentos irregulares, doações eleitorais e movimentações financeiras que levantaram suspeitas de lavagem de capitais. Adilsinho, principal alvo da Operação Fumus, foi localizado e preso em fevereiro deste ano, após ser monitorado por drones em Cabo Frio.
A Operação Unha e Carne começou em dezembro de 2025 investigando o suposto vazamento de informações sigilosas sobre ações policiais contra o Comando Vermelho (CV). Conforme a PF, o compartilhamento desses dados teria favorecido integrantes da facção criminosa e comprometido operações em andamento.
Em nota, a defesa de Rodrigo Bacellar negou qualquer envolvimento do político com os fatos investigados. Os advogados afirmam que ele “não atuou, de qualquer forma, para inibir ou embaraçar qualquer investigação, direta ou indiretamente, ou para proteger e beneficiar organizações criminosas e seus integrantes”. A manifestação também sustenta que a documentação apresentada no processo demonstra que Bacellar não possui qualquer vínculo com os fatos apurados e reforça que sua atuação como agente público sempre foi pautada pela legalidade, impessoalidade e combate ao crime organizado. Por fim, a defesa classifica as acusações em sentido contrário como “a mais absoluta inverdade”.
A reportagem do portal LeoDias tenta contato com a defesa de Márcio Poncio para obter um posicionamento sobre o caso. A defesa de Adilsinho não foi localizada. O espaço permanece aberto para manifestações e eventuais esclarecimentos.
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