Rapper P. Diddy é condenado a 4 anos de prisão e implora por misericórdia
O artista de 55 anos também recebeu multa de R$ 2,5 milhões; o juiz destacou abusos cometidos contra mulheres ao longo de uma década
Sean “Diddy” Combs, rapper e empresário, foi sentenciado nesta sexta-feira (3/10) a 50 meses de prisão, o equivalente a pouco mais de 4 anos, por duas condenações ligadas à Lei Mann, que criminaliza o transporte de pessoas entre estados para fins de prostituição. Além da pena, o juiz federal Arun Subramanian determinou o pagamento de uma multa de US$ 500 mil, o valor máximo previsto pela legislação.
Combs está sob investigação e enfrenta processos relacionados ao caso desde setembro de 2024, quando foi formalmente preso e indiciado pela promotoria federal em Nova York. Parte das acusações ganhou força pública com o vídeo de 2016 em que Combs aparece agredindo Cassie num hotel, material cuja exibição foi admitida no caso e amplamente noticiada. Ele foi absolvido das imputações mais graves de tráfico sexual e associação criminosa no mesmo julgamento.
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Conforme o portal CNN nos EUA, durante a audiência em Manhattan, o magistrado afirmou que Combs “prejudicou irreparavelmente duas mulheres” e ressaltou que os abusos se estenderam por mais de dez anos. Ele lembrou ainda que o poder econômico do artista foi usado para sustentar o comportamento. “Por que aconteceu por tanto tempo? Porque você tinha o poder e os recursos para mantê-la. E porque você não foi pego”, disse o juiz, ao rejeitar a tentativa da defesa de minimizar os episódios como experiências consensuais.
Subramanian também declarou que, embora Diddy tenha histórico reconhecido de empreendedorismo e influência cultural, seu passado com boas ações não apagaria os atos de violência. O juiz classificou como graves as agressões sofridas por Cassie Ventura e outra vítima identificada apenas como Jane, lembrando que ambas relataram pensar em tirar a própria vida em razão do trauma.
Combs, que desde setembro de 2024 já estava preso preventivamente, tentou comover o tribunal em sua fala final. Em lágrimas, pediu desculpas à mãe, aos sete filhos e às ex-namoradas. Chamou sua conduta de “repugnante, vergonhosa e doentia” e afirmou ter perdido “negócios, carreira e reputação”. Ele implorou por uma segunda chance: “Eu estava doente. Doente por causa das drogas, eu estava fora de controle […] Peço misericórdia a Vossa Excelência”. Além disso, pediu desculpas às vítimas de violência doméstica.
Apesar do discurso, o juiz ressaltou que não havia segurança de que os crimes não se repetiriam se o rapper fosse solto, e reforçou a necessidade de uma pena substancial para mostrar que abusos contra mulheres geram responsabilização real. A acusação defendia mais de 11 anos de prisão, enquanto a defesa sugeria apenas 14 meses, alegando problemas de saúde mental e uso de drogas. Porém, o tribunal fixou a pena em pouco mais de 4 anos, rejeitando os dois extremos.
A condenação marca um divisor de águas na trajetória do artista de 55 anos, que já foi celebrado como referência e agora cumpre pena após um processo que expôs décadas de acusações de violência sexual e exploração.
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