Imprensa internacional reage à condenação de Bolsonaro pelo STF
Situação do ex-presidente da República do Brasil reforçou o peso histórico da decisão, com jornais destacando o impacto do julgamento
A condenação de Jair Bolsonaro (PL) pela tentativa de golpe de Estado não se limitou às páginas da Justiça brasileira. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que alcançou maioria nesta quinta-feira (11/9), repercutiu de forma imediata na imprensa mundial, que tratou o episódio como um marco democrático e um divisor de águas para a política do país.
O jornal The Guardian, do Reino Unido, afirmou que Bolsonaro poderá enfrentar décadas de prisão por “liderar a conspiração criminosa” que tentou mantê-lo no poder após a derrota eleitoral de 2022. O jornal destacou ainda a fala da ministra Cármen Lúcia, que classificou a tentativa de golpe como a disseminação de uma “semente maligna da antidemocracia”.
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Já a agência Reuters ressaltou que o ex-presidente se tornou o primeiro líder brasileiro condenado por atentar contra a democracia. Além disso, lembrou que a decisão não foi unânime, já que o ministro Luiz Fux votou pela absolvição, o que animou apoiadores e pode embasar recursos da defesa.
Nos Estados Unidos, o Washington Post apontou que o julgamento é visto por parte da sociedade brasileira como um ponto de virada, embora a defesa de Bolsonaro já tenha sinalizado que pretende recorrer. O Wall Street Journal, por sua vez, avaliou que a condenação reacende tensões políticas entre Lula e Donald Trump e simboliza a “queda dramática” de Bolsonaro, eleito em 2018 sob o discurso de lei e ordem.
O El País, da Argentina, considerou a decisão “um passo importante contra a impunidade” e destacou o peso inédito de ver um ex-presidente e militares prestando contas por uma tentativa de golpe. A BBC lembrou que o fracasso do plano golpista desembocou nos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando prédios dos Três Poderes foram invadidos por apoiadores de Bolsonaro.
Também houve análises sobre os desdobramentos internacionais. O francês Le Monde avaliou que o caso provocou uma crise diplomática sem precedentes com os Estados Unidos e expôs a polarização extrema da sociedade brasileira. A Bloomberg chamou atenção para a narrativa de “perseguição política” que seria usada por Bolsonaro e citou que congressistas aliados discutem projetos de anistia.
Para a The Economist, a condenação do líder de extrema direita é histórica: “”A condenação é histórica. O Brasil sofreu inúmeros golpes desde sua independência em 1822. O mais recente inaugurou uma ditadura militar que governou de 1964 a 1985 e matou centenas de pessoas”.
Enquanto a expectativa recai agora sobre a fixação das penas, marcada para sexta-feira (12/9), a repercussão global evidencia que o julgamento não é apenas um tema nacional, mas um capítulo que reposiciona o Brasil no debate internacional sobre democracia e autoritarismo.
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