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Lula critica operação no Rio e cobra apuração com participação da PF: “Desastroso”

Presidente chamou ação de “matança” e disse que Estado falhou na condução da ofensiva

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          Em meio às agendas em Belém, no Pará, antes da COP30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que peritos da Polícia Federal (PF) integrem as investigações sobre a operação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que terminou com 121 mortos. O episódio, classificado por ele como “desastroso” e “uma matança”, é considerado a ação mais letal da história do estado.

          Durante entrevista concedida a veículos internacionais nesta terça-feira (4/11), Lula afirmou que o governo federal está articulando uma investigação independente. “Vamos ver se a gente consegue fazer essa investigação. Porque a decisão do juiz era uma ordem de prisão, não tinha uma ordem de matança, e houve matança”, declarou.

          Veja as fotos

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          Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista coletiva com a imprensa na IndonésiaReprodução: YouTube/CanalGov
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          Câmeras corporais revelam bastidores da operação no Rio que deixou 121 mortosReprodução: Globo
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          Lula na MalásiaDivulgação: YouTube/Canal Gov
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          Polícia FederalReprodução: Polícia Federal
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          Cláudio CastroReprodução: Globo

          O presidente disse que busca o envolvimento de legistas federais no caso para garantir isenção nas perícias. “Estamos tentando ver se é possível os legistas da polícia federal participarem do processo de investigação da morte, como é que foi feito, porque tem muitos discursos, tem muita coisa”, afirmou.

          A operação, deflagrada em 28 de outubro, teve como alvo a facção Comando Vermelho e foi considerada “um sucesso” pelo governador Cláudio Castro (PL/RJ), que afirmou que todas as pessoas mortas eram criminosos. Lula, no entanto, contestou a avaliação. “O dado concreto é que a operação, do ponto de vista da quantidade de mortes, as pessoas podem considerar um sucesso; mas do ponto de vista da ação do Estado, eu acho que ela foi desastrosa”, disse ele.

          A escalada de violência no Rio mobilizou o governo federal. Os ministros Ricardo Lewandowski, da Justiça e Segurança Pública; Macaé Evaristo, dos Direitos Humanos; e Anielle Franco, da Igualdade Racial foram ao estado na semana passada para acompanhar a situação. Lewandowski relatou que Lula ficou “estarrecido” com a dimensão das mortes e determinou o envio de peritos criminais da PF para apoiar as investigações locais.

          O Supremo Tribunal Federal (STF) também acompanha o caso. O ministro Alexandre de Moraes ordenou que o governo fluminense preserve todas as provas relacionadas à operação, incluindo laudos e registros de cadeia de custódia, garantindo o acesso do Ministério Público e da Defensoria Pública.

          Na semana passada, Lula havia evitado críticas diretas ao governo do Rio, se limitando a defender um “combate coordenado” ao crime organizado que não coloque em risco civis nem policiais. Agora, endureceu o tom e reforçou que o país precisa de ações eficazes, mas dentro dos limites da lei. “Precisamos de um trabalho coordenado que atinja a espinha dorsal do tráfico sem colocar policiais, crianças e famílias inocentes em risco”, concluiu o presidente.

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