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O corpo perfeito pode adoecer: nutricionista faz alerta sobre transtornos alimentares

Adriane Dias analisa a condição no Dia Mundial da Conscientização dos Transtornos Alimentares e destaca a importância da prevenção, do acolhimento e tratamento

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          As condições de saúde conhecidas como transtornos alimentares vão muito além da alimentação. Elas envolvem fatores emocionais, psicológicos, comportamentais e sociais, podendo comprometer o bem-estar físico e mental.

          De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo convivem com algum transtorno alimentar. Apesar de serem frequentemente associados apenas à anorexia e à bulimia, esses transtornos abrangem uma série de comportamentos e sofrimentos relacionados à alimentação, ao peso corporal e à autoimagem.

          Veja as fotos

          Imagem gerada por IA (ChatGPT, OpenAI)
          Imagem gerada por IA (ChatGPT, OpenAI)
          Fotos: Alexander Raths/Natalia Zakharova/Luiz Braga/Montagem
          Medida inclui pescados, frutas e castanhasFotos: Alexander Raths/Natalia Zakharova/Luiz Braga/Montagem
          Reprodução
          Adriane Dias fala sobre a importância de comer alimentos da atual safraReprodução
          Dra. Adriane Dias (Foto: Reprodução/Internet)
          Dra. Adriane Dias (Foto: Reprodução/Internet)

          Muito além da anorexia e da bulimia:

          A anorexia nervosa é caracterizada pela restrição alimentar intensa, medo excessivo de ganhar peso e uma percepção distorcida do próprio corpo. Já a bulimia nervosa envolve episódios de compulsão alimentar seguidos por comportamentos compensatórios, como vômitos induzidos, uso inadequado de laxantes ou exercícios físicos em excesso.

          No entanto, outros quadros também merecem atenção. A compulsão alimentar periódica, por exemplo, é marcada pela ingestão de grandes quantidades de comida em um curto período, acompanhada da sensação de perda de controle e de sentimentos de culpa, vergonha ou sofrimento emocional.

          Além disso, cresce a preocupação com transtornos ligados à imagem corporal, como a vigorexia. Nesse quadro, a pessoa acredita que seu corpo é pequeno ou pouco musculoso, mesmo quando apresenta um desenvolvimento físico acima da média. Isso pode levar a treinos excessivos, dietas extremamente restritivas e comportamentos prejudiciais à saúde.

          A influência das redes sociais na construção da autoimagem:

          O crescimento das redes sociais trouxe novos desafios para a saúde mental. A exposição constante a imagens editadas, filtros, padrões estéticos irreais e conteúdos que associam valor pessoal à aparência física pode contribuir para a insatisfação corporal.

          O impacto é ainda mais preocupante entre adolescentes e jovens, que estão em uma fase de construção da identidade e da autoestima. Comparações frequentes com influenciadores, celebridades e até colegas podem aumentar sentimentos de inadequação e favorecer comportamentos de risco relacionados à alimentação e ao corpo.

          Sinais de alerta:

          Mudanças bruscas nos hábitos alimentares, preocupação excessiva com peso e aparência, isolamento social, culpa após comer, prática exagerada de exercícios físicos e oscilações frequentes de peso podem ser alguns sinais de alerta.

          O diagnóstico precoce e o tratamento adequado aumentam significativamente as chances de recuperação.

          O papel do nutricionista no tratamento:

          O acompanhamento nutricional é uma parte essencial do tratamento dos transtornos alimentares. O nutricionista atua na reconstrução de uma relação mais equilibrada com a comida, ajudando o paciente a abandonar padrões extremos de restrição, compensação e culpa.

          No entanto, o tratamento deve ser multidisciplinar, envolvendo também médicos, psicólogos e psiquiatras. A integração entre diferentes profissionais é fundamental para abordar não apenas os sintomas alimentares, mas também as questões emocionais que sustentam o transtorno.

          Informação, acolhimento e prevenção:

          Falar sobre transtornos alimentares é uma forma de combater o estigma e incentivar a busca por ajuda. Mais do que discutir alimentação, o Dia Mundial da Conscientização dos Transtornos Alimentares convida a sociedade a refletir sobre a pressão estética, os impactos da cultura da aparência e a importância de promover uma relação mais saudável com o corpo e com a comida.

          A prevenção começa com informação de qualidade, acolhimento e respeito à diversidade corporal.

          Referências: Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS), Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

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